Os dados mais recentes da Driva sobre a movimentação de estabelecimentos do setor de foodservice no Brasil, de janeiro a meados de junho de 2025, revelam uma dinâmica preocupante: o número de fechamentos superou significativamente o de aberturas em diversas categorias.
Saldo negativo domina a maioria das tipologias
Ao analisar o saldo entre estabelecimentos abertos e fechados, percebemos que a maioria das tipologias apresentou mais fechamentos do que aberturas. Categorias tradicionais como lanches, hambúrgueres e comida brasileira lideram essa estatística negativa:
- Lanches: 2.675 fechamentos e apenas 678 aberturas — saldo de -1.997.
- Hambúrguer: saldo de -1.429, com mais de 2.500 encerramentos no período.
- Brasileira: apenas 61 aberturas frente a 1.370 fechamentos.
Esses números podem refletir um mercado saturado, mudanças nos hábitos de consumo ou dificuldades
operacionais enfrentadas por negócios independentes.
Setores em colapso ou transição?
A tipologia Açaí, popular nos últimos anos, também teve um saldo negativo expressivo: -985 estabelecimentos. Já o segmento de marmitas, fortemente impactado por questões logísticas e margens reduzidas, fechou mais de mil unidades, abrindo apenas 247 novas — uma retração de quase 77%.
Nichos mais resilientes
Por outro lado, algumas categorias conseguiram manter um saldo positivo, mesmo em um cenário geral adverso:
- Doces & Bolos: apesar de 20 mil fechamentos, mais de 30 mil estabelecimentos foram abertos, totalizando um saldo positivo de +9.707.
- Bebidas: com saldo de +3.770, essa categoria pode estar se beneficiando de novos modelos de bar e consumo social.
- Padarias também surpreendem, com +521 estabelecimentos a mais.
Esses dados indicam que o consumidor ainda busca conveniência e indulgência — mesmo em tempos mais desafiadores.
O que esperar do segundo semestre?
Esse balanço do primeiro semestre de 2025 aponta para um mercado em transformação. O alto número de encerramentos em certas tipologias pode abrir espaço para modelos de negócio mais enxutos, digitalizados e adaptados ao novo perfil de consumidor — mais exigente e atento à experiência.
Ficar atento a essas movimentações é essencial para marcas, operadores e investidores que desejam manter a competitividade nos próximos meses.







