O GPA protocolou na madrugada desta terça-feira (10) um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas financeiras. A iniciativa busca criar condições para a execução do plano de reestruturação conduzido pelo CEO Alexandre Santoro, que assumiu o comando da varejista há cerca de dois meses.
A proposta já conta com o apoio de credores que representam aproximadamente 46% do total da dívida, entre eles instituições financeiras como Itaú, HSBC, Rabobank e BTG Pactual. O pedido também foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e recebeu o aval dos principais acionistas da companhia, incluindo Grupo Coelho Diniz, Casino e o investidor Silvio Tini.
Com o protocolo da recuperação extrajudicial, o GPA obtém suspensão de execuções e carência no pagamento de juros por 90 dias, período em que pretende negociar os termos da reestruturação com os demais credores e alcançar a adesão mínima necessária para validar o plano.
Segundo Santoro, o processo não afeta a operação cotidiana da empresa. Pagamentos a fornecedores, aluguel de lojas e salários de colaboradores não fazem parte da renegociação, que se concentra nas dívidas financeiras.
A decisão ocorre após o GPA ter indicado, na divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, incertezas relevantes sobre a continuidade operacional do negócio diante do cenário financeiro. Ao fim do ano passado, a companhia registrava déficit de capital de giro de cerca de R$ 1,22 bilhão e prejuízo anual de R$ 651 milhões, embora o resultado represente melhora em relação ao ano anterior.
Além disso, o grupo possui R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento nos próximos 12 meses, enquanto o fluxo de caixa operacional alcançou R$ 1,3 bilhão em 2025, avanço de 37,8%. A empresa também enfrenta cerca de R$ 17 bilhões em contingências fiscais e trabalhistas, além do impacto do aumento da taxa básica de juros sobre o custo das dívidas contratadas em gestões anteriores.
O cenário levou a Fitch Ratings a rebaixar a nota nacional de longo prazo do GPA de A(bra) para CCC(bra), citando riscos elevados de refinanciamento e deterioração da liquidez.
Paralelamente à renegociação financeira, o plano de Santoro inclui redução de despesas operacionais em pelo menos R$ 415 milhões e diminuição do investimento previsto para 2026. O capex deve ficar entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões, abaixo dos R$ 612 milhões registrados em 2025.
No mercado, as ações do GPA seguem pressionadas. Os papéis encerraram o pregão mais recente em queda de 5,21%, cotados a R$ 2,73, acumulando desvalorização de 31% em 12 meses, o que reduz o valor de mercado da companhia para cerca de R$ 1,3 bilhão.







