O consumo de sorvetes no Brasil deve aumentar 50% até 2033, segundo levantamento do Senai-SP e da Abrasorvete (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis). O setor, que hoje movimenta mais de 16 mil empresas e gera cerca de 275 mil empregos, tem sua base formada majoritariamente por micro e pequenas empresas — concentradas, principalmente, nas regiões Sul e Sudeste.
“Esse cenário mostra que o crescimento do setor está enraizado em pequenos negócios regionais, com alto potencial empreendedor”, afirma Martin Eckhardt, diretor da Abrasorvete.
Novos formatos e oportunidades de negócio
Os caminhos para empreender no mercado de sorvetes são variados. O varejo físico tradicional, com sorveterias e gelaterias artesanais, continua forte, mas os modelos flexíveis, como food trucks, carrinhos e delivery especializado, vêm ganhando espaço por exigirem investimento menor e retorno mais rápido.
Há também um movimento crescente no segmento industrial — com pequenas fábricas e linhas próprias que apostam em produtos diferenciados, como versões veganas, low carb, sem lactose e gourmet.
Um exemplo é Kerley Torres, proprietária da Sammy Gelados, de Recife. Após deixar o emprego formal, ela criou uma pequena indústria voltada ao fornecimento para o varejo. “O início foi difícil, principalmente na gestão financeira, mas hoje já planejo abrir minha primeira loja física. Nossa meta é crescer 30% em 2025”, conta.
Sazonalidade em queda e novos hábitos de consumo
O consumo de sorvete já não se restringe ao verão. “O público amadureceu e passou a enxergar o produto como uma experiência de prazer, e não apenas um refresco”, explica Sávio Gregorio, da Glaciê Ice Cream House, de Minas Gerais.
A Abrasorvete aposta nessa mudança de percepção para aumentar o consumo per capita — atualmente em 7,7 litros por pessoa/ano — e pretende atingir dois dígitos até 2033. Para isso, campanhas vêm associando o sorvete a bem-estar, equilíbrio alimentar e momentos de descontração, valorizando também versões menos calóricas e mais naturais.
Desafios e diferenciais competitivos
Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios. A manutenção da cadeia do frio, os custos com energia e equipamentos e a alta competitividade exigem gestão eficiente.
“O empreendedor precisa adotar uma estratégia voltada à qualidade e à identidade de marca. Investir em bons ingredientes, controlar o estoque e manter os equipamentos em dia é essencial para garantir a integridade do produto”, reforça Eckhardt.
Capacitar a equipe também é um diferencial. O atendimento, a experiência sensorial e o vínculo emocional com o cliente são elementos decisivos para fidelização.
O sorvete como experiência
Mais do que vender um produto, o desafio é criar experiências. “O sorvete faz parte de momentos felizes — é um produto que encanta”, resume Tyelle Panatta Wiggers, professora do Senac EAD. Ela destaca que cada detalhe importa: da escolha dos ingredientes à valorização de insumos locais.
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Fonte: Economia UOL







