Com o preço do cacau em patamares historicamente elevados, grandes empresas do setor alimentício têm recorrido a aumentos de preços para compensar custos mais altos.
A suíça Lindt & Sprungli anunciou um reajuste de 15,8% no primeiro semestre do ano, enquanto a Mondelēz International, dona de marcas como Toblerone e Milka, já sinalizou movimentos semelhantes para 2025. Na Hershey’s, a CEO Michele Buck afirmou, em agosto de 2024, que a empresa “já absorveu muita inflação, mas acreditamos que precisamos repassar parte dela aos consumidores”.
Segundo análise da TD Cowen citada pelo The Wall Street Journal, os chocolates representam dois terços das vendas da Hershey’s, enquanto doces sem chocolate respondem por cerca de 12%.
Tarifas e busca por alternativas
Embora a empresa não aponte tarifas como a principal causa dos aumentos, elas permanecem um ponto sensível. Em maio, a Hershey solicitou à Casa Branca isenção de tarifas para o cacau, temendo que disputas comerciais agravem ainda mais os custos. Estimativas da companhia indicam que as tarifas podem gerar um impacto entre US$ 15 milhões e US$ 20 milhões apenas no segundo trimestre, mesmo com a utilização de estoques já existentes.
Estratégia: diversificação e novos produtos
Para reduzir a dependência do cacau e acompanhar mudanças no consumo, a Hershey tem apostado em novas categorias de snacks. A empresa ampliou seu portfólio com wafers, manteiga de amendoim e gomas, além de ter anunciado a compra da LesserEvil, fabricante de snacks orgânicos como pipocas e puffs.
Essa estratégia reflete a visão de Michele Buck de transformar a companhia em uma “potência em lanches”, expandindo sua presença para além do chocolate tradicional e minimizando a exposição a uma única commodity.
Alternativas ao chocolate tradicional
O cenário de preços altos também impulsionou o interesse da indústria por substitutos do cacau. Fornecedores de ingredientes têm desenvolvido alternativas para uso em panificação e confeitaria, mas o desafio está na aceitação do consumidor: sabor e percepção de qualidade ainda são barreiras para que essas opções ganhem escala no mercado.
Fonte: Food Dive







