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Marcas passam a adotar rótulo “não ultraprocessado” em nova certificação

A busca por mais transparência nos rótulos acaba de ganhar um novo capítulo. Marcas como a de água com gás Spindrift e a fabricante de congelados Amy’s Kitchen estão entre as primeiras a receber a certificação Non-UPF Verified, lançada pelo Projeto Não-OGM para identificar produtos que não são considerados ultraprocessados.

Diferente de iniciativas que se baseiam apenas na lista de ingredientes ou em limites nutricionais, o novo padrão olha para o processo produtivo. A proposta é simples: avaliar como o alimento é feito, e não apenas o que aparece no rótulo.

“A maior parte das abordagens atuais para lidar com alimentos ultraprocessados se baseia no que é visível na embalagem, como nutrientes e ingredientes proibidos. Mas as pesquisas mostram que o processamento em si é a variável que estava faltando”, afirmou Megan Westgate, CEO e fundadora do Non-GMO Project, em comunicado oficial.

Após um piloto de seis meses, o programa abriu oficialmente as inscrições em um momento em que cresce o ceticismo dos consumidores em relação a alimentos altamente processados. Esse debate também ganhou força com o movimento “Make America Healthy Again”, que ampliou a pressão sobre órgãos reguladores nos Estados Unidos. Estados e governo federal avaliam novas regras, chegando a comparar alimentos ultraprocessados a produtos como tabaco e álcool.

Mesmo com a atenção crescente, o conceito de “ultraprocessado” ainda está longe de um consenso. O FDA trabalha em uma definição oficial, enquanto estados avançam com regras próprias. Na Califórnia, por exemplo, uma lei que restringe alimentos ultraprocessados em escolas considera como tal qualquer produto com ao menos um aditivo ou altos níveis de gordura saturada, sódio ou açúcar adicionado.

Nesse cenário fragmentado, surgem diferentes sistemas de verificação. O Non-UPF Program, lançado no segundo semestre de 2025, adota o Sistema Nova, que classifica os alimentos em quatro grupos conforme o grau de processamento.

Já o Non-UPF Verified segue outro caminho. O padrão reconhece processos como moagem, fermentação e congelamento como práticas que podem tornar os alimentos mais seguros, desde que não envolvam processamento industrial capaz de alterar profundamente suas propriedades químicas ou estruturais. Além disso, a certificação restringe ingredientes típicos de formulações ultraprocessadas, proibindo adoçantes não nutritivos e limitando a adição de açúcar refinado.

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Fonte: Food Dive

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