A recente “crise do metanol”, marcada por casos de intoxicação em diferentes estados, vem transformando o comportamento dos consumidores e abrindo espaço para novos formatos de consumo em Belo Horizonte. Enquanto bares registram queda na venda de drinks feitos na hora, as marcas locais de bebidas artesanais e enlatadas observam um movimento de alta e maior confiança do público.
Segundo Pedro Junqueira, sócio da Vanfall Destilaria, o e-commerce da marca viu as vendas dispararem nos primeiros dias após os casos virem à tona.
“Em apenas seis dias, faturamos 76% da média mensal. Foi como vender quase quatro vezes mais do que o habitual”, conta.
A estratégia de transparência também tem sido um diferencial. Além de reforçar a fiscalização do processo produtivo, a empresa passou a divulgar laudos laboratoriais que comprovam a ausência de metanol em seus produtos. “Isso aumentou a confiança e a procura pelos nossos destilados e drinks prontos”, acrescenta Junqueira.
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Drinks prontos ganham espaço
O mesmo cenário se repete em outras marcas do segmento. A Lambe Lambe, que produz drinks prontos em lata, registrou crescimento de 20% nas vendas em São Paulo e 10% em Belo Horizonte logo na primeira semana da crise.
Para a sócia Kalinka Campos, a segurança da embalagem é um fator determinante:
“As latas são invioláveis. Isso elimina o risco de adulteração e oferece ao consumidor uma opção segura e prática.”
Ela explica que distribuidores e bares têm buscado reforçar o estoque de bebidas com procedência controlada, acompanhando o aumento da demanda por produtos rastreáveis e com fabricação certificada.
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Novas oportunidades para o artesanal
Na Xá de Cana, especializada em coquetéis prontos com caldo de cana, o primeiro impacto foi de retração nas vendas locais.
“Houve resistência inicial em Belo Horizonte, mas compensamos com o interesse crescente de bares de outros estados, como São Paulo e Manaus”, relata a fundadora, Sthella Lima.
A marca apostou em ações educativas sobre seu processo produtivo e no fortalecimento da confiança junto ao consumidor, o que começa a gerar resultados positivos.
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O que muda para o foodservice
Segundo a Abrasel, a crise não afetou o movimento de bares e restaurantes de forma generalizada — a mudança é mais sutil e comportamental.
José Eduardo Camargo, líder de conteúdo e inteligência da entidade, afirma que o consumidor está mais seletivo:
“Há uma busca maior por estabelecimentos de confiança e fornecedores certificados. A atenção à procedência virou parte da experiência.”
A tendência de valorização das bebidas artesanais e de origem rastreável deve se consolidar, impulsionando a profissionalização do setor e a comunicação de transparência.
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📍 A “crise do metanol” teve início com casos de intoxicação registrados em São Paulo e Minas Gerais. Até o momento, o Ministério da Saúde contabiliza 17 confirmações e mais de 200 suspeitas em investigação.
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Fonte: Diário do Comércio








