Josiane Luz, de 35 anos, fundadora da marca de chocolates Luzz Cacau, sediada em São Paulo (SP), viu sua expansão internacional ser travada por um novo obstáculo. A marca já está presente em sete países europeus — Suíça, Liechtenstein, Portugal, Espanha, França, Alemanha e Itália — e estava prestes a entrar no mercado norte-americano. No entanto, uma nova tarifa de importação mudou os rumos da empresa.
Em entrevista à PEGN (Pequenas Empresas & Grandes Negócios), Josiane contou que a negociação com uma distribuidora dos Estados Unidos, que planejava vender os produtos da marca com exclusividade, foi interrompida dias após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre parte dos produtos brasileiros (30/07). “Estava com uma expectativa muito grande de que o cacau e seus derivados fossem excluídos da taxação, mas infelizmente não foi o caso”, afirmou a empreendedora, natural de Iguaí, na Bahia.
A expectativa era alta: o novo cliente americano compraria, de uma vez, a mesma quantidade de chocolate que a empresa produz em um ano inteiro. “Seria uma oportunidade de dobrar o faturamento em um ano”, comentou Josiane. Hoje, a Luzz Cacau fatura cerca de R$ 3 milhões por ano.
Com forte ligação familiar ao cultivo de cacau, Josiane decidiu seguir um novo caminho após visitar Madri e perceber o prestígio do chocolate brasileiro na Europa. Formou-se técnica em cacau fino e, em 2019, lançou a marca com investimento de R$ 60 mil de sua poupança e a venda de seu carro. A estreia precisou ser adaptada ao digital por conta da pandemia.
Desde então, a Luzz Cacau coleciona prêmios. Em 2024, recebeu quatro medalhas no International Chocolate Awards, nas etapas Américas e Mundial, com destaque para os sabores ao leite 52% e doce de leite com coco. No ano anterior, em 2023, foi reconhecida com três medalhas de bronze pela Academy of Chocolate, em Londres. Já em 2020, o chocolate ao leite 52% conquistou bronze no Prêmio Bean to Bar Brasil.
A exportação para os Estados Unidos exigiu adaptações: foram investidos R$ 25 mil na adequação das embalagens ao inglês e em trâmites regulatórios. “Qualquer valor que sai do nosso caixa impacta demais a operação”, destacou Josiane. O registro junto à FDA (Food and Drug Administration) seria custeado pelo distribuidor.
O contrato também previa um aumento da capacidade produtiva para atender ao novo mercado, inclusive com fabricação no modelo private label. Mas com a tarifa de 50%, o negócio se tornou inviável. “Cheguei a cogitar absorver parte do custo, mas percebi que estaria pagando para trabalhar”, declarou.
Apesar da decepção, Josiane segue em movimento. Com o apoio da ApexBrasil, busca novos mercados e já agendou reuniões com dois distribuidores europeus. Também está de olho no mercado asiático. “Espero que a situação nos Estados Unidos se resolva, mas no momento o risco é alto demais”, afirmou.
Segundo dados do Comexstat (MDIC), em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 175 milhões em chocolates para os EUA. Apenas no primeiro semestre de 2025, esse valor já ultrapassou os US$ 111 milhões — um cenário que evidencia a importância do país como destino estratégico para o setor.
Fonte: PEGN







