Uma pesquisa inédita da Troiano Branding revela os bastidores da rotina dos mercadinhos de bairro em São Paulo — negócios que sustentam boa parte do comércio local, mas que enfrentam desafios estruturais e operacionais importantes.
Segundo o levantamento, apenas 16% desses estabelecimentos compram direto da indústria. A maioria ainda depende dos distribuidores (47,5%), enquanto atacadistas (25%) e atacarejos (3,3%) também aparecem na lista de fornecedores. Para itens não perecíveis, o cenário é semelhante: só 15% compram da indústria, contra 48,3% que recorrem a distribuidores.
Estrutura enxuta e faturamento modesto
O estudo ouviu 120 donos de mercearias e mercadinhos, divididos entre a Região Metropolitana de São Paulo (80) e o interior (40). O perfil que emerge é de negócios familiares, com equipes pequenas: 65,8% contam com até cinco pessoas, em muitos casos parentes.
Na operação, 75% dos estabelecimentos têm até dois caixas, e quase metade funciona com apenas um. No faturamento, mais da metade (54,2%) registra até R$ 30 mil por mês, enquanto apenas 10% superam os R$ 91 mil. A média mensal fica em R$ 43,9 mil.
Tecnologia ainda é exceção
Um dos pontos mais críticos é a baixa automação. Mais de 61% dos mercadinhos não utilizam sistemas automatizados, operando ainda no papel ou em planilhas simples. Isso reforça a vulnerabilidade desses negócios diante da complexidade da gestão.
O dono faz de tudo
Outro dado que chama atenção: 52,5% dos proprietários treinam pessoalmente seus funcionários, e 35% sequer veem necessidade de investir em capacitação. A pesquisa mostra um dono multitarefa — responsável por negociar com fornecedores, gerir o caixa e ainda cuidar da equipe.
Emoções que contam histórias
Além dos números, o levantamento utilizou o método ZMET, que explora metáforas visuais para entender sentimentos. Muitos empreendedores se enxergam como equilibristas em uma corda bamba, ou como Sísifo empurrando uma pedra montanha acima — metáforas que traduzem o peso da jornada.
Ainda assim, há espaço para orgulho e esperança: muitos veem o mercadinho como conquista de um sonho e possibilidade de futuro para a família. Como resume Cecília Troiano, CEO da consultoria:
“É uma jornada solitária, mas também de vitória. Eles pedem apoio e tecnologia, mas seguem acreditando que vale a pena.”
Identidade de bairro
Interessante notar que poucos comerciantes se reconhecem no termo “supermercado”. As palavras mais usadas para descrever seus negócios são “minimercado” (20%) e “mercearia” (18,3%), reforçando o caráter comunitário desses espaços.
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Fonte: PEGN







