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Da colheita ao freezer: como a logística sustenta o mercado de vegetais congelados?

O mercado de vegetais congelados tem registrado forte expansão, tanto no B2B, com restaurantes, redes de foodservice e indústrias de alimentos, quanto no B2C, impulsionado pelo consumidor final em busca de praticidade e opções mais saudáveis. Em 2024, os pedidos de marmitas cresceram 17% apenas na cidade de São Paulo. Já no Rio de Janeiro foi de 21%, segundo dados do iFood. Esse crescimento trouxe para o setor não apenas novas oportunidades, mas também uma pressão maior sobre a eficiência logística, já que a cadeia do frio é decisiva para que o produto chegue ao destino com qualidade.

Quem, como eu, anda de bicicleta pela cidade e leva a marmita congelada para a rotina de trabalho sabe bem o valor dessa praticidade. Mas, por trás do gesto simples de abrir a marmita na hora do almoço, existe uma engrenagem complexa que começa no campo e passa por caminhões refrigerados, câmaras frias e centros de distribuição, até chegar à mesa do consumidor.

Garantir essa qualidade é um desafio logístico constante. A cadeia de vegetais congelados depende de uma infraestrutura especializada, que inclui transporte refrigerado, armazéns preparados para grandes volumes e sistemas de monitoramento em tempo real. Qualquer falha nesse processo pode comprometer a integridade do lote e gerar perdas significativas. Não por acaso, os vegetais já representam a categoria mais relevante dentro da cadeia fria, respondendo por 43,3% do total, segundo dados da MarketLine Industry Profile. Esse protagonismo reforça como a evolução dessa estrutura logística pode potencializar ainda mais o mercado de vegetais congelados no Brasil, garantindo eficiência e ampliando o acesso a alimentos de qualidade.

Esse rigor não é apenas operacional: ele impacta diretamente a preservação nutricional e biológica dos vegetais. Um congelado que sofre variação de temperatura perde textura, sabor e valor nutricional, mas o problema vai além. A quebra da chamada “cadeia do frio” cria condições para a proliferação de microrganismos e contaminações, o que pode transformar um alimento saudável em um risco à saúde do consumidor. 

Nesses casos, não há alternativa a não ser descartar o lote inteiro,  um desperdício que representa não só perda financeira para empresas, mas também perda de recursos naturais e energia investidos na produção e no transporte. Cada tonelada descartada significa água, solo e insumos agrícolas desperdiçados, além de emissões de carbono que poderiam ter sido evitadas. 

No varejo e no foodservice, isso se traduz em prateleiras vazias, aumento de custos repassados ao consumidor e menor acesso da população a alimentos de qualidade. Ou seja, o impacto não se limita à indústria: ele reverbera em toda a cadeia de valor e no cotidiano de quem consome esses produtos.

Outro ponto-chave é a sazonalidade da produção agrícola. Como os vegetais têm períodos específicos de colheita, a cadeia logística precisa absorver picos de produção, armazenar grandes volumes em câmaras frias e distribuir ao longo do ano sem comprometer a qualidade. Uma operação ineficiente pode transformar um excedente de safra em desperdício, enquanto uma logística bem planejada garante disponibilidade contínua, o que é essencial para restaurantes, mercados e até para quem depende das marmitas do dia a dia, como eu. 

O transporte refrigerado é mais caro que a logística convencional, seja pela manutenção dos equipamentos, seja pelo consumo energético elevado. Além disso, as exigências regulatórias e sanitárias são rigorosas, com normas de rastreabilidade e segurança que precisam ser seguidas à risca. 

Mas, embora onerosa, essa estrutura é indispensável para assegurar que os vegetais congelados cheguem ao mercado dentro dos padrões de qualidade e segurança exigidos. Dessa forma, a logística deixa de ser apenas um suporte e se torna protagonista na expansão do consumo de vegetais congelados. 

Assim, a logística se torna a responsável por conectar oferta e demanda, assegurar frescor ao longo do ano e garantir que consumidores e empresas recebam produtos com segurança, eficiência e valor nutricional preservados, seja no prato de um restaurante ou na marmita levada de bike para o trabalho.

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*Sobre Michele Funari

Michele Funari Neto é diretor de vendas e marketing da Grano Alimentos, a maior empresa brasileira de vegetais congelados. Com mais de 20 anos de experiência nas áreas de vendas, marketing, negócios e operações, construiu uma sólida carreira em empresas de destaque no setor de bens de consumo, como Ocrim Produtos Alimentícios, Mondelēz, Grupo Danone e Mitsubishi Motors. Ao longo de sua trajetória, liderou projetos de inovação, lançamentos de produtos e definições de estratégias comerciais, de marketing e trade marketing, com foco em resultados e crescimento sustentável.

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