O que vemos nas gôndolas dos supermercados é apenas a ponta do iceberg. Por trás de cada produto, existe uma complexa rede de produção que depende diretamente da natureza e do equilíbrio climático. Se não houver chuva no campo, se os pequenos produtores não forem valorizados, e se as cadeias produtivas não estiverem bem organizadas, toda a estrutura de abastecimento pode entrar em colapso. E com o avanço das mudanças climáticas, o risco de uma “tempestade perfeita” no setor de alimentos é real e crescente.
Nesta perspectiva, a COP-30, que será realizada em novembro no Brasil, ganha um papel estratégico. Rodrigo Vicentini, presidente da Unilever Alimentos no Brasil, alerta: “O custo da inação já está acontecendo”. Em entrevista à série especial “A Era do Clima, Rumo à COP-30”, o executivo destaca a urgência de pautas como agricultura regenerativa e fontes de energia renovável, apontando o evento como essencial para promover soluções sustentáveis de impacto real.
Além das questões ambientais, Vicentini traz à tona um debate importante: o papel da indústria na oferta de alimentos ultraprocessados. Ele defende que a prioridade da Unilever está na qualidade dos ingredientes e no incentivo à alimentação saudável, com exemplos práticos como o uso de ovos caipiras, óleo de soja não transgênico e ingredientes de origem regenerativa em marcas como Mãe Terra e Maizena.
A preocupação com a saúde, a sustentabilidade e a inovação caminham juntas — e a conversa com o consumidor é vista como um pilar estratégico. “Comida tem que ser saudável e gostosa também”, reforça Vicentini.







