Um novo relatório da Circana aponta que os medicamentos para perda de peso à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, estão prontos para transformar o consumo de alimentos e bebidas nos próximos anos. De acordo com a consultoria, lares com usuários desses medicamentos já representam 23% das famílias nos Estados Unidos — e devem chegar a 35% das unidades vendidas no setor até 2030.
O avanço de medicamentos como a semaglutida não altera apenas rotinas de saúde. Ele vem remodelando prioridades de compra e abrindo espaço para novas oportunidades dentro da indústria de foodservice e bens de consumo.
Como os GLP-1 estão mudando o comportamento de compra
Esses medicamentos reduzem o apetite e incentivam escolhas alimentares voltadas a praticidade e saúde, como produtos ricos em proteína, fibras, energia ou com benefícios de hidratação. Por outro lado, opções com alto teor de carboidratos e açúcar tendem a perder relevância — o que inclui categorias tradicionais como refrigerantes e snacks salgados.
Para Sally Lyons Wyatt, vice-presidente executiva e consultora global da Circana, esse é um ponto de virada para a indústria: as prioridades dos consumidores estão mudando de maneira acelerada, e as empresas precisarão ajustar portfólio e comunicação.
Indústrias já começam a reagir
Marcas globais como Conagra, Danone e até a Nissin vêm reformulando produtos ou lançando linhas para atender consumidores que buscam controlar peso, saciedade e consumo calórico. A lógica é simples: mesmo comprando menos volume, usuários de GLP-1 gastam mais do que os não usuários.
Um estudo da ADM reforça essa tendência:
- 80% dos consumidores que utilizam os medicamentos estão dispostos a pagar mais por itens com benefícios adicionais à saúde.
- 67% afirmam que atributos compatíveis com o uso de GLP-1 influenciam fortemente a decisão de compra.
A etapa seguinte: consumidores que param e retomam o uso
Há também um movimento importante entre ex-usuários. Embora parte deles mantenha hábitos mais saudáveis, 76% recuperaram algum peso, o que abre caminho para um uso intermitente dos medicamentos. Segundo a ADM, 65% considerariam retomar o tratamento para controlar desejos por comida ou sensação de saciedade.
Para esse público, alimentos que reforçam saciedade — como proteínas, fibras e ingredientes que desaceleram a digestão — devem ganhar relevância. A Circana estima que metade dos ex-usuários deve voltar a usar GLP-1 no futuro, criando um ciclo de consumo que influencia ainda mais os padrões de compra.
O que esse movimento significa para o foodservice
O avanço dos GLP-1 indica uma mudança estrutural no mercado. Para a indústria, a oportunidade está em ampliar ofertas alinhadas a:
- saúde e bem-estar,
- conveniência,
- saciedade,
- transparência de ingredientes.
Empresas que ajustarem portfólio e comunicação para essa nova mentalidade tendem a se conectar melhor com um público que cresce rapidamente.
Para acompanhar essas e outras tendências do setor, acesse também o Portal Foodbiz, hub de inteligência do IFB.







