Copacol, cooperativa agroindustrial sediada no Paraná, lidera o primeiro ranking brasileiro dedicado a medir a capacidade das empresas de crescer, inovar e escalar operações por meio da co-manufatura. Produzido pela GrowinCo, plataforma especializada em inteligência para cadeias produtivas, o levantamento avaliou mais de 21 mil empresas presentes no mercado brasileiro de bens de consumo e identificou as organizações que melhor utilizam redes produtivas terceirizadas como estratégia de crescimento.

A liderança da Copacol chama atenção por colocar uma cooperativa à frente de algumas das maiores multinacionais do setor. Unilever aparece na segunda posição, seguida por Linea, JBS Brasil, Native Orgânicos, Nestlé, Catupiry, Korin Agropecuária, Mondelez e Mais Mu.

Top 10 do CPG Leaders 100

  1. Copacol – 85,6
  2. Unilever – 82,2
  3. Linea – 80,6
  4. JBS Brasil – 80,2
  5. Native Orgânicos – 79,9
  6. Nestlé – 79,8
  7. Catupiry – 79,5
  8. Korin Agropecuária – 77,9
  9. Mondelez – 77,7
  10. Mais Mu – 75,4

O ranking foi desenvolvido para preencher uma lacuna histórica do setor. Enquanto indicadores tradicionais medem faturamento, market share ou presença em gôndola, o CPG Leaders 100 avalia a capacidade das empresas de utilizar a co-manufatura para acelerar lançamentos, ampliar portfólio e construir redes produtivas resilientes.

“Durante décadas, possuir fábricas próprias foi visto como a principal vantagem competitiva da indústria de consumo. Os dados mostram que isso mudou. Hoje, empresas líderes são aquelas capazes de combinar capacidade produtiva própria com redes externas altamente qualificadas, usando a co-manufatura como ferramenta estratégica de crescimento”, afirma Raphael Traticoski, CEO da GrowinCo.

Cooperativas competem em igualdade com multinacionais

Um dos principais achados do estudo é o desempenho das cooperativas. Além da liderança da Copacol, a Aurora aparece na 11ª colocação, próxima ao grupo das dez maiores empresas do ranking.

Segundo a análise da GrowinCo, o modelo cooperativo consegue combinar produção própria relevante com uma forte rede de parceiros industriais, criando uma estrutura competitiva comparável à de grandes grupos globais.

“O ranking mostra que governança e capacidade de coordenação importam tanto quanto tamanho. Cooperativas bem estruturadas conseguem construir redes produtivas tão sofisticadas quanto as das multinacionais e competir em pé de igualdade”, diz Traticoski.

Ter rede não basta

O estudo também mostra que tamanho da rede, isoladamente, não garante liderança.

A Nestlé registrou o maior score de Network de todo o levantamento, com 93,9 pontos, mas ocupa apenas a sexta posição geral. Segundo a GrowinCo, o resultado demonstra que a liderança depende do equilíbrio entre escala, inovação e capacidade de relacionamento com fabricantes parceiros.

Outro exemplo é a La Violetera, que possui o segundo maior score de Network do ranking, mas aparece apenas na 44ª colocação devido ao menor volume absoluto de operações realizadas por meio da co-manufatura.

Marcas digitais chegam ao topo

O levantamento identificou ainda a presença crescente de marcas nascidas na economia digital entre as líderes do setor.

A Mais Mu, décima colocada, registrou o maior score de inovação de todo o ranking. Já a Desinchá aparece entre as 20 empresas mais bem posicionadas do estudo.

Segundo a GrowinCo, o resultado reforça que a co-manufatura reduziu barreiras históricas de entrada na indústria de alimentos e bebidas, permitindo que empresas cresçam sem a necessidade de investimentos pesados em ativos industriais.

“Há dez anos, competir com grandes indústrias exigia construir fábricas. Hoje, o diferencial está em construir redes. Isso está permitindo o surgimento de uma nova geração de marcas altamente inovadoras e competitivas”, afirma Traticoski.

Metodologia

O CPG Leaders 100 é o primeiro ranking anual dedicado a medir a capacidade de empresas de bens de consumo embalados crescerem por meio da co-manufatura. O estudo analisou 168.992 lançamentos de produtos de alimentos e bebidas realizados no Brasil entre 1996 e 2026, dos quais 29.938 foram produzidos por meio de parcerias de co-manufatura. Ao todo, 21.094 empresas foram rastreadas. Para esta edição, 135 organizações atenderam aos critérios mínimos de elegibilidade.

A metodologia considera três pilares:

• Escala (50%)
• Inovação (25%)
• Network (25%)

A pontuação final varia de 0 a 100 e busca medir a capacidade das empresas de utilizar a co-manufatura como instrumento de crescimento, inovação e expansão de mercado.

Sobre a GrowinCo.

A GrowinCo., plataforma digital de co-manufatura para a indústria de bens de consumo, que conecta marcas a co-packers, fabricantes, fornecedores de ingredientes e de embalagens para acelerar o desenvolvimento e o lançamento de novos produtos. Com atuação consolidada na América Latina, a empresa está em fase de expansão para a América do Norte, processo impulsionado por um aporte de R$ 4,8 milhões captado junto à Mandi Ventures, Urca Angels e GVAngels — rede de investidores-anjo formada por ex-alunos da FGV — e Harvard Angels, rede de alunos e ex-alunos de Harvard.