A tradicional cervejaria alemã Hofbräu München (HB), conhecida por sua ligação histórica com a Oktoberfest, escolheu o Brasil para um movimento inédito: produzir sua Weissbier fora da Alemanha pela primeira vez.
A decisão não veio por acaso. O país é hoje o terceiro maior consumidor de cerveja do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos — um dado que ajuda a explicar por que o mercado brasileiro entrou no radar estratégico da marca bávara.
Até então focada na exportação, a HB passa a investir em produção local, em uma operação coordenada pela Bier Wein, importadora especializada em cervejas premium.
A fabricação será feita pela NewAge Bebidas, em Leme (SP), após um rigoroso processo de homologação. A planta tem capacidade para 300 mil hectolitros por ano e já trabalha com um portfólio diversificado, incluindo marcas próprias e produção para terceiros.
Segundo Fabio Violin, diretor comercial da NewAge, o projeto marca um momento relevante para o setor no país. “Estamos falando de uma cerveja com tradição secular e forte valor simbólico. Produzi-la no Brasil traz uma responsabilidade grande e reforça nosso compromisso com qualidade”, afirma.
O processo de adaptação não foi superficial. Um dos mestres cervejeiros da HB, Max Müllner, acompanhou de perto a produção por quase dois meses, garantindo que os padrões originais fossem mantidos.
A estratégia também tem um componente logístico e ambiental. De acordo com Rudolf Seider, diretor comercial da HB, a produção local reduz a necessidade de transporte internacional — o que impacta diretamente na pegada de carbono e nos custos da operação.
Mesmo com a mudança, a promessa é de fidelidade à receita original. Ingredientes-chave, como leveduras, lúpulos e maltes especiais, continuam sendo importados da Alemanha. Já a água e parte dos maltes passam a ser nacionais.
Inicialmente, dois rótulos serão produzidos no Brasil:
- HB Weissbier, com perfil aromático marcado por notas frutadas como banana e damasco, além do clássico toque de cravo
- HB Lager (Helles), conhecida pelo equilíbrio e alta aceitação no mercado alemão
Além da expansão de mercado, a produção local deve impactar diretamente o consumo. A expectativa é de redução de cerca de 20% no preço final, impulsionada pela eliminação de custos de importação e logística.
Outro efeito esperado é o aumento da disponibilidade no ponto de venda — com abastecimento mais constante e produto mais fresco.
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Fonte: Engarrafador Moderno







