O cenário do delivery no Brasil está passando por uma transformação decisiva com a consolidação do Open Delivery, iniciativa que promete simplificar, integrar e padronizar toda a cadeia do setor. Em um mercado onde, segundo o relatório E-commerce no Brasil 2023 da Ebit/Nielsen, já existem 1.120 aplicativos de comida em operação, a complexidade operacional se tornou um desafio crescente para bares, restaurantes, marketplaces e operadores logísticos.
Nesse contexto, o Open Delivery — liderado pela Abrasel — surge como um marco para o food service nacional. Inspirado em modelos como o Open Banking, o projeto estabelece padrões de comunicação abertos, que permitem que diferentes sistemas conversem entre si com mais eficiência. Não se trata de um aplicativo ou plataforma que concorre com o mercado, mas de uma “língua universal” que organiza processos, reduz gargalos e torna a operação de delivery mais inteligente.
A pandemia acelerou a dependência do setor por soluções digitais, e mesmo após esse período, o consumo via delivery se manteve estável devido ao home office e à busca por praticidade. Com o Open Delivery, restaurantes, PDVs, plataformas de e-commerce, operadores logísticos e sistemas de pagamento conseguem atuar de forma integrada, com menos retrabalho, mais visibilidade e uma gestão centralizada.
A iniciativa conta com participação de grandes nomes do setor — como iFood, Rappi, Coca-Cola Brasil e Ambev — além de lideranças como Carlos Netto e Célio Salles, que atuam no conselho de governança. Essa coalizão permitiu o desenvolvimento de soluções essenciais: gestão unificada de cardápios, integração de pedidos, logística conectada, conciliação financeira centralizada, ambiente de contratação e ficha-resumo de contratos, tudo baseado em padrões abertos e gratuitos.
Para os restaurantes, o impacto é direto: cardápios cadastrados uma única vez, menos plataformas para gerenciar, economia operacional e maior facilidade para vender em múltiplos canais. Os canais de venda também se beneficiam, aumentando sua base de parceiros e ampliando a oferta ao consumidor.
Segundo Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, “o Open Delivery simplifica a entrada de novos players no mercado de entrega e fomenta um ambiente de inovação mais competitivo e eficiente”. Para ele, a iniciativa democratiza o mercado ao uniformizar informações e reduzir barreiras tecnológicas.
A implementação é simples: basta que bares e restaurantes utilizem softwares de gestão ou PDVs compatíveis com o padrão. A documentação técnica está disponível publicamente e qualquer empresa pode adotar os padrões sem custo ou homologação formal. O processo envolve apenas o registro no Portal de Aderentes e o uso de um software adaptado.
Entre as empresas que já avançaram nesse movimento, a Foody Delivery se destaca por ser 100% aderente ao Open Delivery desde dezembro de 2023. A companhia desenvolveu integrações no padrão Marketplace e Operador Logístico, permitindo que pedidos fluam automaticamente entre plataformas e reduzindo a necessidade de processos manuais. Isso significa economia de tempo, redução de erros e maior eficiência para restaurantes e sistemas de gestão.
Com esse avanço, o Open Delivery se consolida como uma das mais importantes iniciativas estruturantes do mercado de delivery no Brasil, promovendo um ecossistema mais integrado, inovador e competitivo — preparando o setor para uma nova era de eficiência e colaboração.
Fonte: open delivery







