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Retomada da RC Cola: como a nostalgia movimenta o mercado de refrigerantes

A RC Cola está de volta às conversas da indústria. Depois de décadas longe dos holofotes, a centenária marca ganhou uma nova campanha e reacendeu um debate importante no foodservice: por que bebidas nostálgicas voltaram a chamar atenção dos consumidores?

No início do ano, a Keurig Dr Pepper — proprietária da RC Cola — lançou a primeira campanha publicitária da marca em 40 anos. A iniciativa acompanha um movimento mais amplo, no qual sabores clássicos e embalagens retrô vêm conquistando espaço entre pessoas que buscam experiências familiares, afetivas e “autênticas”.

Uma marca antiga com história de inovação

Criada em 1905, a RC Cola nunca foi simplesmente mais uma cola do mercado. A marca acumulou marcos importantes:

  • foi pioneira ao adotar latas de alumínio;
  • lançou uma das primeiras colas dietéticas;
  • realizou testes de sabor em escala nacional antes de isso virar padrão.

O resultado desse histórico de experimentação foi um status de “clássico cult”, impulsionado por campanhas icônicas, como a parceria com John Wayne nos anos 1940. Nos anos 1960, a RC chegou a ser a terceira marca de refrigerante mais vendida do país. Depois, perdeu força e sumiu do radar do grande público.

Agora, com embalagens que remetem às décadas de 1970 e 80, a empresa tenta reconectar gerações — tanto quem já consumiu a marca no passado quanto quem nunca a viu nas prateleiras.

Onde a nostalgia encontra demanda

A nova fase da RC Cola começou por Chicago, cidade onde a marca nunca deixou de ter presença, especialmente por causa das pizzarias locais. O slogan da campanha — “Não é um refrigerante. É só uma cola muito boa” — reforça um posicionamento direto: menos sobre funcionalidades, mais sobre sabor e identificação emocional.

Segundo Erica Hollington, diretora de marketing de marcas emergentes da Keurig Dr Pepper, a aposta faz sentido em um mercado onde grande parte das campanhas gira em torno de bem-estar, felicidade ou performance. A RC Cola entra pela tangente: simplicidade e memória afetiva.

A estratégia também ajuda a companhia a ocupar um espaço que ainda pouco explorava. Embora forte em refrigerantes aromatizados (como ginger ale e root beer), a Keurig Dr Pepper sempre teve uma atuação discreta no universo das colas — território amplamente dominado pela Coca-Cola, que detém 46% das vendas da categoria, segundo dados da Circana compartilhados pela empresa.

A onda de relançamentos nostálgicos

O renascimento da RC Cola não é isolado. Outras gigantes vêm reativando marcas antigas para aproveitar esse desejo por produtos com história. A própria Coca-Cola relançou o Mr. Pibb com receita renovada e embalagens retrô, além de edições limitadas da Coca-Cola Diet inspiradas em designs do passado.

Para Hollington, o apelo nostálgico está diretamente ligado ao que muitos consumidores hoje descrevem como “autenticidade”. Marcas longevas, com memória e identidade reconhecível, ganham vantagem em momentos de saturação de novidades.

O que esperar da RC Cola daqui para frente

A tendência não significa, porém, que a RC embarcará em grandes inovações. A empresa lançou recentemente uma versão sem açúcar, mas afirma que o foco, por agora, está em fortalecer o portfólio existente e se comunicar melhor com consumidores fiéis — e com os potenciais novos fãs.

Esse movimento é um bom termômetro para redes de alimentação e operadores do setor que acompanham o comportamento do consumidor: produtos com passado conhecido podem se transformar em oportunidades de diferenciação.

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Fonte: Food Dive

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