A General Mills está usando duas de suas marcas mais icônicas para avançar em uma mudança que vem ganhando força na indústria de alimentos: a substituição de corantes artificiais por alternativas naturais.
A companhia anunciou o lançamento de novas versões de Trix e Lucky Charms feitas com corantes de origem natural. Entre as novidades estão o Lucky Charms Unicorn Cotton Candy, com marshmallows inéditos em formato de unicórnio, e o Tropical Trix, desenvolvido em parceria com o filme “Moana”, da Disney. Os produtos chegam ao mercado norte-americano durante o verão.
O movimento faz parte de um plano mais amplo da empresa, que prevê a retirada total de corantes sintéticos de seu portfólio de cereais nos Estados Unidos até o fim de 2026 — e de todos os produtos de varejo até 2027.
Mais do que inovação de portfólio, os lançamentos funcionam como um “campo de testes”. Ao apostar em novos sabores e formatos, a General Mills reduz o risco de rejeição, já que o consumidor não tem uma referência visual consolidada — um ponto sensível quando se trata de cores menos vibrantes.
Esse cuidado não é por acaso. Em 2016, a empresa reformulou o Trix com corantes naturais, mas enfrentou queda nas vendas após críticas sobre a aparência do produto. Um ano depois, voltou atrás e reintroduziu a versão com corantes artificiais.
Agora, o cenário é outro. A pressão por mudanças vem tanto do consumidor quanto da regulação. A FDA tem incentivado a eliminação voluntária de corantes artificiais, enquanto estados como Virgínia Ocidental avançam com legislações mais restritivas, especialmente para alimentos destinados a escolas.
A própria General Mills já antecipou esse movimento ao retirar corantes artificiais de produtos voltados ao ensino básico meses antes do prazo previsto.
Outras gigantes também estão na mesma direção. Nestlé USA e Kraft Heinz anunciaram planos semelhantes, enquanto a PepsiCo optou por uma estratégia híbrida, lançando linhas específicas — como a Simply NKD, com snacks sem corantes — sem alterar todo o portfólio.
O que está em jogo vai além da formulação: trata-se de reposicionamento. Em um contexto em que “natural” virou atributo competitivo, testar, aprender e ajustar rapidamente pode ser o diferencial entre aceitação e rejeição.
Para o foodservice, o tema abre um alerta importante: a percepção visual continua sendo decisiva — mas o que o consumidor aceita como “atraente” está mudando.







