Grandes cervejarias estão ampliando os testes com garrafas de alumínio no Brasil, em um movimento que combina inovação, sustentabilidade e alternativas ao vidro, material que enfrenta desafios de abastecimento e reciclagem desde a pandemia.
Ambev e Heineken anunciaram recentemente edições especiais de cervejas envasadas em embalagens de alumínio, ainda em caráter experimental e colecionável. O avanço chama atenção porque o Brasil já possui uma cadeia consolidada para reciclagem do alumínio, impulsionada principalmente pelo mercado de latas.
Segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), o país reciclou 97,3% das latas de alumínio para bebidas em 2024. A entidade avalia que essa infraestrutura pode abrir espaço para o crescimento das chamadas “alu bottles”, as garrafas de alumínio, como alternativa ao vidro no setor de bebidas.
A Ambev lançou recentemente versões especiais de Budweiser e Corona em garrafas de alumínio. No caso da Budweiser, as embalagens homenageiam sedes históricas da Copa do Mundo. Já a Corona retomou uma edição apresentada em 2024, associada ao festival “Todo Mundo no Rio”, destacando atributos como capacidade de manter a cerveja gelada por mais tempo e reciclabilidade.
A companhia afirma que os projetos fazem parte de iniciativas voltadas à inovação e à ampliação das ocasiões de consumo, além de reforçarem a estratégia de circularidade e evolução das embalagens.
A Heineken também entrou no movimento com uma edição limitada lançada durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 de 2025, em São Paulo. Foram produzidas cerca de 300 mil unidades com alumínio importado da Holanda. Segundo a empresa, o projeto funcionou como um ambiente de testes para avaliar novas soluções de embalagem e possibilidades futuras de escala.
Apesar dos testes, a Heineken afirma que o vidro continua sendo estratégico para o setor, principalmente pela possibilidade de reciclagem infinita e pela versatilidade do material. Ainda assim, a empresa acompanha novas alternativas e oportunidades ligadas à agenda de sustentabilidade.
Para a Abal, o avanço das garrafas de alumínio sinaliza uma busca da indústria por embalagens alinhadas às demandas de economia circular e inovação. A entidade acredita que as edições limitadas funcionam como uma validação de mercado antes de possíveis expansões para linhas permanentes.
A associação destaca ainda que o crescimento desse modelo dependerá de fatores como ganho de escala, competitividade frente ao vidro e fortalecimento da percepção de sustentabilidade junto ao consumidor.
Fonte: Estadão







