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FoodBiz

3corações assume Yoki e Kitano e amplia atuação em alimentos

Grupo conclui aquisição da operação brasileira da General Mills, incorpora duas fábricas e passa a reunir cerca de 12,7 mil funcionários

O Grupo 3corações concluiu a aquisição das marcas Yoki e Kitano, além do escritório administrativo de São Bernardo do Campo (SP) e das fábricas de Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT), que faziam parte da operação da General Mills no Brasil.

Com a conclusão do negócio, o grupo passa a reunir cerca de 12.700 funcionários, 15 unidades industriais e presença em mais de 600 mil pontos de venda no país, segundo comunicado da companhia.

Negócio de R$ 800 milhões

A operação havia sido anunciada em março e foi avaliada em R$ 800 milhões, aproximadamente US$ 153 milhões. A conclusão ocorreu após o cumprimento das condições regulatórias e contratuais previstas para a transação.

Com a venda dos ativos, a General Mills encerra 14 anos de presença industrial no mercado brasileiro.

A companhia americana havia adquirido a Yoki Alimentos em 2012 por US$ 940 milhões, sendo US$ 820 milhões pagos em dinheiro e US$ 120 milhões referentes à dívida assumida.

Na época da aquisição, a Yoki era uma empresa familiar sediada em São Bernardo do Campo, fundada em 1960, com mais de 5 mil funcionários e receita de R$ 1,1 bilhão registrada em 2011.

Portfólio da 3corações ganha novas categorias

Antes da aquisição, o Grupo 3corações tinha aproximadamente 9 mil colaboradores, 28 centros de vendas e distribuição e 13 unidades industriais. Com a incorporação dos novos ativos, passa a contar com cerca de 3.700 funcionários a mais e duas novas plantas.

A aquisição também amplia significativamente o portfólio da companhia.

A Yoki possui atuação em categorias como pipoca de micro-ondas, farofa, batata palha, farináceos e acompanhamentos. Já a Kitano está presente no segmento de temperos, ervas e especiarias.

Parte dessas categorias já fazia parte da atuação da 3corações por meio de outras marcas. Em temperos e derivados de milho, por exemplo, o grupo já opera com Dona Clara e Kimimo. A companhia também possui a Frisco, em refrescos em pó, e a Chocolatto, em achocolatados.

Categorias como pipoca, farofa, batata palha e farináceos, porém, representam novas frentes para o portfólio da empresa.

O grupo também já havia ampliado sua atuação para segmentos como leites vegetais, suplementos e snacks por meio de uma joint venture com a Positive Co., que reúne marcas como A Tal da Castanha, Possible, Plant Power, Jungle e Zaya.

Marcas serão preservadas

Desde o anúncio da aquisição, o Grupo 3corações informou que pretende manter as marcas adquiridas, em vez de incorporá-las a rótulos já existentes em seu portfólio.

A estratégia foi reforçada novamente com a conclusão da operação.

Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações, classificou a aquisição como um movimento relevante na história da empresa e como o início de uma nova etapa para o grupo.

Segundo o executivo, a companhia construiu sua relação com os consumidores a partir do café e, ao longo dos anos, passou a atuar em novas categorias e diferentes ocasiões de consumo.

Quando a aquisição foi anunciada, em março, Lima também havia associado a expansão do portfólio à estratégia de estar presente em diferentes momentos de alimentação dos consumidores ao longo do dia.

Aprovação do Cade

A operação foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sem restrições, em decisão publicada em agosto.

Durante a análise, as fabricantes mineiras Pachá Alimentos e Produtos Anchieta se posicionaram contra a aquisição, argumentando que o negócio poderia aumentar a concentração do mercado e reduzir as opções disponíveis aos consumidores. A transação, no entanto, foi aprovada sem imposição de condições.

O Deutsche Bank atuou como assessor financeiro exclusivo do Grupo 3corações, enquanto o escritório Miguel Neto Advogados prestou assessoria jurídica. Do lado da General Mills, a assessoria financeira ficou a cargo do Goldman Sachs e a jurídica, do KLA Advogados.

Fonte: Bloomberg Línea. Reportagem original de Sérgio Ripardo, publicada em 3 de setembro de 2026.

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