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Robôs chegam às padarias de São Paulo

Padarias de São Paulo estão adotando robôs de atendimento para manter o nível de serviço ao cliente e compensar a falta de mão de obra no setor de panificação. A tecnologia, que já aparece em redes de food service pelo mundo, começa a ganhar espaço também nos balcões e salões de padarias tradicionais da capital.

Segundo a Sampapão, entidade que reúne sindicatos e associações de panificação no Estado, há mais de 30 mil vagas abertas apenas na capital paulista — um cenário que pressiona operações de todos os portes e leva empresários a buscar alternativas para manter produtividade e qualidade de atendimento.

Villa Grano: robôs para reduzir tarefas repetitivas

Na padaria Villa Grano, na zona sul de São Paulo, o robô batizado de Virgulino virou parte da rotina. Com 1,5 metro de altura, ele entrega pedidos nas mesas, ajuda a recolher louças sujas (sempre com apoio de um garçom) e atua principalmente nos horários de pico.

Adquirido por cerca de R$ 92 mil, o robô foi pensado para reduzir tarefas repetitivas e aliviar a equipe em um cenário de dificuldade para contratar em praticamente todos os setores: confeitaria, cozinha, área comercial e até manobrista.

De acordo com o proprietário, Luis Ferreira, a automação não veio para substituir pessoas, mas para apoiá-las. A padaria já conta com quase 130 colaboradores e, após a chegada de Virgulino, adquiriu mais três robôs para a unidade.

O resultado, segundo o empresário, é que os atendentes que atuam no salão conseguem dedicar mais tempo ao relacionamento com os clientes, enquanto os robôs assumem parte da logística de entrega e recolhimento.

Tecnologia como complemento ao atendimento humano

Para empresas de serviços, como padarias, o uso de robôs tende a ser um complemento ao trabalho humano, explica Pedro Teberga, professor universitário e especialista em desenvolvimento de negócios digitais. A tendência é que profissionais como garçons passem menos tempo carregando pratos e mais tempo cuidando da experiência do consumidor.

Teberga avalia ainda que o público brasileiro tende a aceitar bem esse tipo de automação, desde que ela venha acompanhada de um atendimento humano qualificado. A máquina ajuda na eficiência, mas não substitui a simpatia e a proximidade do atendente tradicional.

Nas redes sociais, vídeos dos robôs em funcionamento já circulam, despertando curiosidade e debate sobre o futuro do atendimento no varejo alimentar.

Delícia de Perdizes também testa robô no salão

Na zona oeste de São Paulo, a padaria Delícia de Perdizes, com quase 18 anos de operação e cerca de 150 funcionários, também decidiu testar um robô de atendimento. Em fase inicial de adaptação, a máquina consegue atender até três mesas ao mesmo tempo, acelerando o fluxo de pedidos em horários de maior movimento.

Segundo o sócio Fernando Reis, o objetivo é ter um trabalho colaborativo, em que a tecnologia ajude a acelerar processos sem substituir a equipe. Em alguns testes, o robô entregou os pedidos corretamente, mas ajustes no mapeamento do salão ainda são necessários, já que mudanças na disposição de mesas e cadeiras podem afetar sua navegação.

Funcionários relatam que o robô é especialmente útil nos picos de movimento, embora ainda não tenha se adaptado bem à área do buffet de almoço, onde o fluxo de clientes é mais intenso.

Startup por trás dos robôs nas padarias

Os robôs utilizados pela Villa Grano e pela Delícia de Perdizes são fornecidos pela startup Kratus, especializada em soluções de robótica de atendimento. A empresa já equipa outras padarias na cidade, incluindo unidades da Quinta do Marquês, em Alphaville.

Com menos de um ano de atuação, a Kratus tem na panificação seu principal foco de demanda, mas também desenvolve projetos para restaurantes, hotéis, hospitais, supermercados e farmácias.

Ao todo, são 10 modelos de robôs, organizados em quatro frentes principais:

Receptivos – para recepção e boas-vindas aos clientes

Comunicação – interação, mídia e informações no ponto de venda

Limpeza – apoio em tarefas básicas de higienização

Logística – transporte de pratos, produtos e encomendas

Em supermercados, por exemplo, os robôs podem ajudar na reposição de gôndolas. Em hotéis, conseguem transportar malas e entregar bebidas diretamente aos hóspedes.

A adoção de robôs em padarias de São Paulo mostra como a panificação está se digitalizando para enfrentar a escassez de mão de obra, ganhar eficiência operacional e, ao mesmo tempo, manter o foco na experiência do cliente no consumo fora do lar.

Fonte: Estadão

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