Pedir comida pelo celular já faz parte da rotina do brasileiro. O que ainda passa despercebido para muitos é que, por trás desse hábito, o iFood vem construindo um ecossistema de negócios que vai muito além da cozinha. Essa foi a principal mensagem levada pela empresa à Brazil House, em Davos, durante o painel “iFood Pago: transformando o delivery de comida em um ecossistema de inovação e impacto”.
Mediado por André Portilho, sócio do BTG Pactual, o debate reuniu Bruno Henriques, COO do iFood e CEO do iFood Pago, e Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, para mostrar como pagamentos, benefícios corporativos, dados e inteligência artificial estão reposicionando a empresa como uma infraestrutura digital para o consumo e o crédito no Brasil.
Frequência como ativo estratégico
Segundo Bruno Henriques, a lógica de expansão do iFood sempre esteve ancorada em um fator simples: frequência. Comer é um hábito diário — e isso garante à plataforma dezenas de interações mensais com o mesmo consumidor.
Hoje, essa lógica se traduz em escala: são cerca de 65 milhões de usuários, 180 milhões de pedidos por mês, mais de 500 mil restaurantes parceiros e aproximadamente 600 mil entregadores conectados à plataforma. A partir dessa base recorrente, o iFood expandiu para novas categorias, como mercado e farmácia, mantendo a proposta de conveniência e entrega rápida.
Crédito como ferramenta de crescimento para restaurantes
A entrada do iFood no setor financeiro não seguiu o caminho tradicional das fintechs. O ponto de partida foi um gargalo conhecido do foodservice: o acesso ao crédito por pequenos e médios restaurantes.
O iFood Pago nasceu para atender esse público a partir de dados reais de operação — fluxo de pedidos, recorrência de clientes e desempenho dentro do marketplace. Hoje, a operação soma mais de 200 mil contas digitais ativas e já concedeu cerca de US$ 500 milhões em crédito aos parceiros nos últimos dois anos.
Em vez de depender exclusivamente de score bancário, o modelo de risco considera indicadores como retenção de clientes e demanda recorrente. Segundo dados apresentados no painel, 80% dos restaurantes que acessaram crédito pela plataforma afirmam estar em situação melhor do que antes.
Vale-refeição mais digital e conectado ao consumo
Outra frente estratégica é o iFood Benefícios, que atua no mercado de vale-refeição e vale-alimentação — um setor estimado entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões por ano no Brasil.
Historicamente analógico e pouco flexível, o segmento vem passando por uma digitalização acelerada. De acordo com Arthur Freitas, a proposta do iFood é simplificar a experiência para empresas e usuários finais, além de ampliar o acesso.
O impacto aparece nos dados de consumo: usuários do iFood Benefícios gastam, em média, 30% a mais dentro da plataforma, reforçando a integração entre benefícios corporativos e o ecossistema de foodservice.
Inteligência artificial como motor de escala
Dados são a base do ecossistema, mas a inteligência artificial virou o principal motor de crescimento. O iFood vem investindo em agentes automatizados e modelos de linguagem para escalar operações internas, atendimento e vendas.
A meta é ambiciosa: mais de 8 mil agentes de IA ativos até o fim do ano fiscal. No iFood Benefícios, esses agentes já operam 24 horas por dia, esclarecendo dúvidas e fechando contratos com pequenas empresas — com taxas de conversão superiores às do atendimento humano, justamente pela velocidade de resposta.
Super app à brasileira
Inspirado por modelos asiáticos como WeChat e Alipay, o iFood observa o conceito de super app, mas com adaptação à realidade local. A estratégia não é replicar fórmulas, e sim integrar serviços de forma orgânica a partir dos hábitos do consumidor brasileiro.
Em um cenário de concorrência crescente, a empresa aposta na combinação de frequência, dados, crédito e tecnologia para sustentar seu crescimento. Em Davos, o recado foi claro: o futuro do iFood passa menos pela comida em si e mais pela capacidade de conectar consumo e negócios em escala nacional.
Esse movimento ajuda a entender por que plataformas de delivery estão cada vez mais no centro das discussões sobre o futuro do foodservice — tema que segue em pauta no Portal Foodbiz e nos debates estratégicos do IFB.
Conteúdo originalmente publicado pela EXAME, adaptado para o blog do IFB.







