O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia deve abrir um novo capítulo para a agricultura familiar brasileira. A avaliação é do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, que destaca ganhos relevantes para produtores de café, frutas e lácteos, especialmente os que atuam em cadeias de maior valor agregado.
Segundo o ministro, o café é um dos grandes destaques desse novo cenário. Produzido majoritariamente por agricultores familiares, o produto poderá ser exportado para a Europa já beneficiado, sem a incidência de tarifas. Isso significa mais valor agregado, mais competitividade e aumento de renda no campo. Para Teixeira, trata-se de uma mudança estrutural importante para milhares de pequenos produtores espalhados pelo país.
O contexto internacional também ajuda a explicar o momento favorável. Com a adoção de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos, a União Europeia passou a buscar novos fornecedores. Nesse cenário, o Brasil surge como um parceiro estratégico. “A Europa é um mercado com alto poder de consumo e interesse em produtos diferenciados, o que favorece diretamente a agricultura familiar”, avaliou o ministro.
Frutas brasileiras no radar europeu
Além do café, as frutas brasileiras aparecem como outro vetor de crescimento. Açaí, manga, uva e melão são citados como produtos com demanda crescente no mercado europeu. O açaí, em especial, já ocupa espaço relevante em diferentes países e tende a ganhar ainda mais tração com a eliminação de tarifas. Para os agricultores familiares, isso representa acesso a novos mercados e maior previsibilidade de demanda.
Queijos artesanais e lácteos ganham protagonismo
O acordo também pode impulsionar o setor de lácteos, com destaque para os queijos artesanais. Paulo Teixeira mencionou os queijos da Serra da Canastra, em Minas Gerais, como exemplo de produto já reconhecido no mercado interno e com potencial para conquistar consumidores europeus. A lógica, segundo ele, é pensar grande: enquanto o Brasil passa a importar queijos europeus, também abre espaço para exportar produtos premium nacionais.
Investimentos, renda e apoio à exportação
De acordo com o ministro, os investimentos públicos na agricultura familiar, especialmente via Plano Safra, atingiram níveis recordes. Um dos reflexos é o aumento da venda de máquinas agrícolas de pequeno porte, hoje um dos principais motores da indústria do setor. A melhora da renda da população também entra nessa equação: com mais renda, o consumo de alimentos cresce, fortalecendo a demanda por produtos da agricultura familiar.
Para viabilizar a inserção desses produtores no comércio internacional, a ApexBrasil deve atuar em conjunto com os adidos agrícolas do governo, apoiando estratégias de exportação e acesso a novos mercados.
Conhecimento, jovens e políticas públicas
Paulo Teixeira adiantou ainda que o governo federal deve anunciar novas políticas públicas voltadas à transferência de conhecimento da Embrapa para a agricultura familiar, com foco especial nos jovens que permanecem no campo. A ideia é aproximar produtores de universidades e centros de pesquisa, ampliando o acesso à inovação e à tecnologia.
O ministro também informou que o presidente Lula deve anunciar, nos próximos dias, um novo pacote de desapropriações de terras para a reforma agrária.
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Fonte: Revista Cultivar







