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Uso de canetas emagrecedoras supera média global no Brasil e muda consumo

O avanço dos medicamentos análogos ao GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, já provoca mudanças relevantes no comportamento de consumo dos brasileiros. Segundo reportagem da Bloomberg Línea, baseada em estudo da consultoria Euromonitor International, 5,5% da população brasileira utiliza atualmente medicamentos como Ozempic e Mounjaro — índice superior à média global de 3,7%.

O fenômeno acontece em um contexto em que quase metade dos brasileiros afirma estar tentando perder peso em 2026. Mais do que uma tendência ligada à saúde, o crescimento do uso desses medicamentos começa a influenciar diversos mercados, do varejo alimentar ao foodservice, passando pelos setores de beleza, suplementação e vestuário.

Menos açúcar, mais proteínas

Entre os efeitos mais observados pelos usuários de GLP-1 está a redução do apetite e da busca por determinados produtos. De acordo com o levantamento citado pela Bloomberg Línea, 46% dos consumidores relatam diminuir o consumo de bebidas açucaradas após iniciar o tratamento. Outros 32% afirmam sentir menos desejo por álcool, nicotina ou drogas ilícitas.

Ao mesmo tempo, cresce a procura por alimentos frescos e produtos com maior densidade nutricional. Suplementos proteicos, tanto em pó quanto líquidos, aparecem entre as categorias com maior potencial de crescimento, impulsionados pela necessidade de manter a ingestão adequada de proteínas durante o tratamento.

Oportunidades para o foodservice

O impacto também já é percebido no setor de alimentação fora do lar. Segundo a Euromonitor, restaurantes e operadores de foodservice começam a adaptar suas ofertas para atender esse novo perfil de consumidor.

Entre as mudanças observadas estão a criação de porções menores, menus com foco nutricional e adaptações em modelos tradicionalmente associados ao consumo em grandes volumes, como rodízios. A tendência reflete uma demanda crescente por refeições mais equilibradas e adequadas a consumidores que apresentam menor apetite, mas continuam buscando experiências completas de alimentação.

Para Adriana Murasaki, analista de pesquisa de Food & Nutrition da Euromonitor International, ouvida pela Bloomberg Línea, o movimento redefine o conceito de bem-estar dentro do varejo e do foodservice.

Impactos além da alimentação

As transformações não se limitam ao mercado de alimentos e bebidas. O estudo aponta que os efeitos colaterais associados ao uso de GLP-1, como a queda de cabelo, podem impulsionar a demanda por produtos de cuidados capilares e tratamentos específicos.

O setor de vestuário também acompanha as mudanças. Categorias como roupas e calçados esportivos vêm registrando crescimento superior ao mercado geral, refletindo não apenas o uso dos medicamentos, mas uma adoção mais ampla de hábitos ligados à atividade física e ao bem-estar.

Segundo a análise, a influência dos usuários de GLP-1 tende a se estender para familiares e pessoas próximas, ampliando o alcance das mudanças de comportamento.

Mercado deve ganhar força com novos concorrentes

Outro fator que pode acelerar essa transformação é o aumento da oferta de medicamentos. Com a queda da patente da semaglutida — princípio ativo do Ozempic — no Brasil, especialistas esperam a entrada de novos concorrentes e versões genéricas no mercado.

A expectativa é que a maior concorrência contribua para reduzir preços e ampliar o acesso aos tratamentos, potencializando os impactos já observados sobre os hábitos de consumo.

Para empresas de alimentos, foodservice, varejo, beleza e bem-estar, o avanço dos medicamentos GLP-1 sinaliza uma mudança estrutural que pode redefinir categorias inteiras nos próximos anos.

Fonte: reportagem publicada pela Bloomberg Línea com dados da Euromonitor International.

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