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Combustíveis: ameaça produção e pode pressionar preços dos alimentos

Getty Images/Ezra Acayan

A produção agrícola mundial começa a sentir os efeitos da crise energética provocada pelo conflito no Oriente Médio. Em diferentes regiões — da Ásia à Europa e à Oceania — agricultores relatam dificuldades para garantir diesel suficiente para operar tratores, bombas de irrigação e outros equipamentos essenciais para o plantio e a colheita.

A escassez ocorre em um momento sensível do calendário agrícola. Produtores de grãos na Austrália, por exemplo, enfrentam cortes nas entregas de combustível justamente às vésperas do plantio de inverno. Já em Bangladesh, agricultores que cultivam arroz relatam dificuldade para abastecer bombas de irrigação movidas a diesel, fundamentais para manter a produção.

Nas Filipinas, o problema também atinge a pesca e a agricultura. Com o diesel mais caro e menos disponível, pescadores podem ser obrigados a deixar os barcos ancorados, enquanto produtores rurais temem que o aumento do custo do combustível encareça o uso de máquinas durante a colheita.

A crise tem origem nas tensões no Oriente Médio, que vêm afetando fluxos de petróleo, gás natural liquefeito e fertilizantes. Ataques à infraestrutura energética e restrições logísticas em rotas estratégicas pressionam o abastecimento global e elevam os custos de insumos agrícolas.

A agricultura moderna depende fortemente de energia. Máquinas agrícolas, sistemas de irrigação, transporte da produção e até o fornecimento de fertilizantes estão ligados ao acesso a combustíveis fósseis. Quando esse insumo se torna escasso ou caro, o impacto se espalha rapidamente por toda a cadeia de alimentos.

Entre os riscos mais imediatos estão atrasos no plantio, redução da área cultivada e aumento nos custos de colheita e transporte. Em alguns casos, produtores também relatam que o preço mais alto do diesel pode tornar inviável economicamente a coleta de determinadas lavouras.

Na Austrália, representantes do setor afirmam que agricultores já enfrentam dificuldades para garantir combustível suficiente. Em algumas regiões, fornecedores começaram a racionar entregas para tentar atender diferentes propriedades rurais.

Na Europa, o cenário também preocupa. Agricultores alemães relatam aumento significativo no preço do diesel agrícola, enquanto na Romênia os valores já subiram cerca de 25% desde o início do conflito.

Especialistas alertam que a pressão sobre combustíveis e fertilizantes pode gerar efeitos inflacionários duradouros no setor agrícola. Como esses custos fazem parte da base de produção de alimentos, há grande probabilidade de que parte do aumento seja repassada ao consumidor final.

Para o foodservice global — e, por consequência, para operadores no Brasil — o cenário reforça um alerta importante: tensões geopolíticas e crises energéticas continuam sendo fatores capazes de afetar diretamente o custo dos alimentos e a estabilidade das cadeias de abastecimento.

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Fonte: Bloomberg Línea

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