O segmento de cervejas premium segue em disputa acirrada entre Heineken e Ambev, que adotam critérios diferentes para definir quais rótulos entram nessa categoria — um detalhe que influencia diretamente a percepção de liderança no mercado brasileiro, onde o consumo de produtos de maior valor ainda avança.
Como cada fabricante lê o segmento premium
Com poucos dias de diferença, os balanços das duas companhias trouxeram sinais claros dessa divergência.
A Heineken registrou queda na receita líquida orgânica e no volume de remessas no Brasil, mas afirmou ter ganho participação no mercado total de cervejas. As marcas Heineken e Amstel tiveram retração de um dígito alto, porém ampliaram seu market share. A empresa argumenta que, ao considerar critérios da consultoria Nielsen, segue líder no acumulado de janeiro a setembro de 2025 no segmento premium, com mais de 50% do mercado.
A Ambev, por outro lado, reportou crescimento de cerca de 15% no terceiro trimestre de 2025 nas categorias premium e super premium. Segundo estimativas internas, a companhia alcançou 50% de participação, seu melhor resultado em dez anos. Para a Ambev, entram na categoria premium rótulos com preço 130% acima das marcas core (Brahma, Skol e Antarctica). Isso inclui Corona, Stella Artois, Spaten, Chopp Brahma e a Original — esta última alvo de contestação da rival quanto ao enquadramento no segmento.
Entre preço, percepção e estratégia
A Heineken argumenta que a definição de premium não deve se limitar à régua de preços, mas envolver critérios ligados à entrega e ao perfil sensorial do produto. Já especialistas, como Cid Passini, da L.E.K Consulting, afirmam que o valor continua sendo o indicador mais direto, embora características como amargor, aromática e ingredientes também possam ser consideradas.
Quando analisadas individualmente, a Heineken afirma liderar com folga, sustentando que seu rótulo principal tem mais que o dobro da participação da Original, segunda colocada segundo dados Nielsen.
A fronteira entre o mainstream e o premium
As empresas também atuam em segmentos intermediários. A Budweiser, da Ambev, por exemplo, já foi posicionada como premium e hoje está na categoria core plus — com preço entre 110% e 120% acima do core.
Do lado da Heineken, a Amstel se posiciona como uma mainstream puro malte, faixa que cresce rapidamente no país. O Brasil, inclusive, se tornou o maior mercado global da marca. Em novembro, a companhia inaugurou uma nova fábrica em Passos (MG) para ampliar a produção de Heineken e Amstel.
Novas frentes em evolução
Para Passini, ainda há espaço relevante para expansão em tendências de baixo consumo, como cervejas zero álcool, versões reduzidas em calorias e rótulos com sabores, proteínas ou ingredientes funcionais.
Essa diversificação de categorias, segundo ele, mostra como o mercado vem amadurecendo. O que antes era considerado premium já não ocupa o mesmo lugar — um sinal de transformação contínua nas estratégias das grandes cervejarias.
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Matéria originalmente publicada pela InfoMoney.







