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J. Macêdo encerra 2025 com lucro de R$ 347,7 milhões

A J. Macêdo, companhia do setor de moagem de trigo responsável por marcas como Dona Benta, Sol, Petybon, Brandini e Boa Sorte, fechou 2025 com lucro líquido de R$ 347,7 milhões. O resultado representa leve recuo de 1,3% em relação a 2024, quando o lucro foi de R$ 352,2 milhões.

Apesar da pequena queda no acumulado do ano, o desempenho no quarto trimestre mostrou avanço. Entre outubro e dezembro, a empresa registrou lucro líquido de R$ 104,7 milhões, crescimento de 11% na comparação com o mesmo período de 2024.

A margem líquida encerrou o ano em 10,7%, abaixo dos 11,3% registrados no exercício anterior. No último trimestre, porém, houve recuperação: a margem chegou a 12,6%, frente a 11,6% no 4T24.

O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 35,4 milhões, impactado principalmente pelo aumento das despesas com juros decorrentes de financiamentos contratados para sustentar o plano de investimentos da companhia.

Endividamento cresce com ciclo de expansão

O avanço do endividamento foi um dos destaques do balanço, refletindo a estratégia de expansão industrial da empresa.

A dívida líquida atingiu R$ 705,5 milhões, alta de 156% em relação aos R$ 275,6 milhões registrados em 2024. Parte relevante desse aumento está associada a financiamentos obtidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao final de 2025, o endividamento total somava R$ 1,121 bilhão. Mesmo com o crescimento da dívida, o índice de alavancagem (dívida líquida/Ebitda) permaneceu em 1,39 vez, nível considerado administrável pela companhia.

Ebitda mostra recuperação no fim do ano

O Ebitda da J. Macêdo totalizou R$ 507,3 milhões em 2025, retração de 2,2% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, entretanto, houve crescimento de 10%, alcançando R$ 143,1 milhões.

A margem Ebitda fechou o ano em 15,6%, com recuperação mais expressiva no 4T25, quando chegou a 17,3%.

A receita bruta anual atingiu R$ 3,76 bilhões, alta de 4,8%. A margem bruta permaneceu sólida, em 32,9%.

Investimentos industriais entram em fase de maturação

O resultado também reflete o avanço de projetos industriais relevantes. Entre eles estão a modernização da unidade de Salvador e a implantação de novos complexos industriais em Londrina (PR) e Horizonte (CE).

Ao final de 2025, o valor de ativos imobilizados em construção somava R$ 603,2 milhões, indicando a continuidade do ciclo de investimentos.

Segundo o diretor-presidente do grupo, Irineu J. Pedrollo, a estratégia segue focada no crescimento de longo prazo.

“Encerramos 2025 com resultados consistentes, novos ativos estratégicos em operação e a convicção de que estamos cada vez mais preparados para os desafios e oportunidades do mercado”, afirmou.

Crescimento puxado por misturas e recuperação de biscoitos

Em volume, a companhia comercializou 869,2 mil toneladas em 2025, avanço de 2,1%.

O destaque foi a categoria de misturas, que registrou crescimento de 15% em volume e forte expansão em receita. Já o segmento de biscoitos apresentou recuperação, com aumento de 2,7% no volume anual e avanço de 12,5% no último trimestre.

No mix de receita bruta, as categorias ficaram distribuídas da seguinte forma:

  • Farinhas e farelos: R$ 1,72 bilhão (+4,5%), representando 45% da receita
  • Massas: R$ 1,08 bilhão (-0,6%), com 28% de participação
  • Biscoitos: R$ 436,4 milhões (+5,9%), equivalentes a 12%
  • Misturas: R$ 351,5 milhões (+23,7%), com 9% do total

Eficiência na compra de trigo ajuda a sustentar competitividade

A companhia também destacou ganhos de eficiência na compra de trigo no quarto trimestre.

No período, o custo médio do trigo importado ficou 1,7% abaixo da média de mercado (Comex Stat/FOB). Já o trigo nacional foi adquirido a um valor 2,12% inferior ao indicador da Safras & Mercado.

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