No ano em que completa 115 anos, a Cooperativa Santa Clara, com origem em Carlos Barbosa (RS), inicia um novo ciclo de investimentos focado na consolidação e expansão das cadeias de laticínios e suínos. Entre 2026 e 2027, a cooperativa vai aportar R$ 200 milhões em três frentes principais: ampliação da produção de lácteos, expansão da linha de embutidos suínos e reforço da estrutura logística, com distribuição e armazenagem.
Atualmente com 4,7 mil associados, a Santa Clara atua nas regiões da Serra, Alto Uruguai e Alto Jacuí. Segundo a direção da cooperativa, o objetivo é fortalecer a competitividade dos produtores, especialmente os de leite — principal operação da marca — diante de um cenário desafiador, marcado por custos elevados e pressão logística no Rio Grande do Sul.
Hoje, cerca de 2,4 mil produtores fornecem leite à cooperativa. Com crescimento de 14% na produção no campo, a estratégia é ampliar a capacidade industrial para absorver esse volume adicional e agregar valor.
Nova queijaria deve dobrar capacidade produtiva
A principal fatia dos recursos será destinada à construção de uma nova queijaria em Casca (RS). A previsão é iniciar as obras ainda este ano, com operação a partir de 2028. A unidade será determinante para a meta de dobrar a atual capacidade de produção de queijos, hoje em 600 toneladas mensais, somando as fábricas de Carlos Barbosa (focada em queijos nobres) e Getúlio Vargas.
Além disso, a planta já existente em Casca deve ampliar em 20% a produção de leite UHT.
A cooperativa também ampliou em 50 o número de produtores associados recentemente, reforçando sua presença em uma das principais bacias leiteiras do Estado.
Logística ganha papel estratégico
Parte relevante do investimento está direcionada à logística. Em fevereiro, entra em operação um novo Centro de Distribuição (CD) em Carlos Barbosa, resultado de um aporte de R$ 22 milhões. Com 5,3 mil m², a nova estrutura amplia em mais de 70% a capacidade de armazenagem em relação à anterior.
O CD funcionará como um “pulmão” das operações, centralizando matérias-primas, suprimentos e produtos para distribuição, o que deve liberar espaço produtivo nas demais unidades industriais.
Na Região Metropolitana, a cooperativa também amplia sua estrutura em Canoas, com foco na linha de food service. A unidade passará a concentrar toda a distribuição de produtos destinados a restaurantes, hotéis e lanchonetes — segmento estratégico para a marca.
Expansão na suinocultura e no varejo agropecuário
O plano inclui ainda a ampliação da capacidade de abate e desossa no frigorífico de Vila Lângaro, adquirido no ano passado. A previsão é elevar em 17% a capacidade da unidade, que atualmente abate 600 suínos por dia. A estrutura atende 63 produtores integrados e sete unidades de produção de leitões.
A partir dessa base, a cooperativa também projeta expandir a fabricação de embutidos e produtos cozidos de maior valor agregado, como salames, em Carlos Barbosa.
No varejo agropecuário, será concluída neste ano uma nova loja em Paraí, com 4,2 mil m², além do início das obras de uma unidade em Nova Roma do Sul. A Santa Clara mantém 30 lojas no Rio Grande do Sul.
Panorama do investimento
- Total do ciclo (2026–2027): R$ 200 milhões
- Investimento previsto para 2025: R$ 30 milhões
- Áreas prioritárias: laticínios, suinocultura e logística
- Municípios envolvidos: Carlos Barbosa, Casca, Canoas, Vila Lângaro e Nova Roma do Sul
Com foco em ganho de escala, eficiência logística e maior agregação de valor, a Santa Clara aposta na verticalização e na expansão industrial para sustentar o crescimento da base produtiva e ampliar sua presença nos mercados de varejo e food service.
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Fonte: SuperHiper







