O setor global de bebidas alcoólicas vive um dos maiores desafios de sua história recente. Segundo dados da Bloomberg, as ações das principais fabricantes de cerveja, vinho e destilados perderam cerca de US$ 830 bilhões em valor de mercado desde 2021, reflexo direto das mudanças nos hábitos de consumo e da desaceleração econômica mundial.
Mudança de comportamento e novas gerações
Entre os fatores que explicam a retração estão a queda no consumo entre jovens, o avanço de tendências de vida saudável e o crescimento das bebidas sem álcool ou funcionais. Nos Estados Unidos, o consumo de álcool atingiu seu nível mais baixo desde 1939, segundo o índice Gallup. A Geração Z, em especial, tem preferido experiências de socialização sem os efeitos do álcool.
Pressão sobre as grandes marcas
Gigantes como Diageo, Pernod Ricard, Remy Cointreau e Carlsberg registraram o menor valor de mercado em uma década. Na China, o consumo também recuou, impactado por políticas governamentais e pela baixa confiança do consumidor.
Em resposta, as empresas estão reformulando portfólios e investindo em inovação, com linhas de bebidas zero álcool e de baixo teor alcoólico. A Diageo adquiriu a Ritual Zero Proof, enquanto a Moët Hennessy investiu na French Bloom, marca de espumantes não alcoólicos.
Oportunidades em mercados emergentes
Apesar das perdas, analistas veem potencial em mercados emergentes como a América Latina e a Ásia. No Brasil, a Ambev se destaca com foco em premiumização e inovação. Segundo o fundo Cook & Bynum, o consumo de álcool não vai desaparecer, mas será mais seletivo e de maior valor agregado.
Um mercado em transformação
O movimento lembra a trajetória da indústria do tabaco: o foco agora é em sustentabilidade, saúde e inovação. Longe de uma crise definitiva, o setor vive uma transformação estrutural, na qual as marcas que souberem se adaptar às novas demandas poderão liderar a próxima fase de crescimento global.
Fonte: bloomberglinea

