O número de brasileiros que têm nas plataformas digitais sua principal fonte de renda continua crescendo. Segundo o IBGE, cerca de 1,7 milhão de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no terceiro trimestre de 2024 — um aumento expressivo em relação a 2022, quando eram 1,3 milhão.
Embora representem apenas 1,9% dos trabalhadores do setor privado, esses profissionais se destacam por uma renda média superior à da média nacional: R$ 2.996 por mês, frente a R$ 2.875 dos demais. O dado, porém, vem acompanhado de uma jornada mais longa — 5,5 horas a mais por semana, em média.
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Transporte e delivery lideram
Mais da metade dos trabalhadores (53,1%) atua em aplicativos de transporte de passageiros, seguidos por entregadores de comida e produtos (29,3%). Plataformas de serviços gerais e de taxistas completam o ranking.
Entre 2022 e 2024, todas as categorias cresceram, com destaque para os apps de serviços profissionais e gerais, que aumentaram 52,1% no período.
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Quem são esses trabalhadores
O perfil dos profissionais plataformizados é predominantemente masculino (83,9%), com quase metade entre 25 e 39 anos. A maioria tem ensino médio completo ou superior incompleto (59,3%), e apenas 16,6% possuem nível superior completo.

Apesar da renda mais alta em termos absolutos, a diferença salarial em relação a outros setores diminuiu nos últimos anos — reflexo do aumento mais acelerado de ganhos entre os trabalhadores tradicionais.
“Entre os trabalhadores com ensino superior, muitos exercem funções abaixo da sua qualificação, como motoristas de aplicativo. Isso ajuda a explicar o rendimento menor nesse grupo”, explica Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE.
📊 Os dados fazem parte da Pnad Contínua, pesquisa do IBGE realizada em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho.







