O mercado global de café vive um momento de tensão. Secas severas no Vietnã e no Brasil — dois dos maiores produtores mundiais — reduziram drasticamente a oferta, elevando os preços a patamares recordes no início do ano. Esse cenário pode se agravar com a possibilidade de novas tarifas impostas pelo governo norte-americano a países exportadores, o que deve pressionar ainda mais os custos nos próximos meses.
Grandes marcas, como Keurig Dr Pepper e JM Smucker (dona de Folgers e Café Bustelo), já repassaram parte desse aumento ao consumidor. Desde outubro do ano passado, a Smucker reajustou os preços do café ao menos três vezes e planeja um novo aumento para agosto, segundo seu último balanço financeiro.
Esse cenário desafiador abre espaço para soluções alternativas. Startups e empresas de tecnologia alimentícia vêm apostando em produtos sem grãos, que utilizam resíduos e subprodutos alimentares como matéria-prima — uma proposta mais sustentável e, cada vez mais, competitiva em custo.
Um exemplo é a Prefer, criada em 2022 em Singapura. A empresa transforma polpa de soja e arroz quebrado em um produto que imita o café tradicional por meio de fermentação moderna. O resultado é um “café” que pode substituir até 40% da bebida convencional sem comprometer o sabor. Para quem busca cafeína, há versões descafeinadas e até duplamente cafeinadas, obtidas a partir de fontes como chá verde.
Com US$ 2 milhões levantados em rodada de investimento inicial, a Prefer planeja ampliar sua presença para mais de 100 pontos de venda até o fim do ano e já mira novos sabores que também enfrentam ameaças climáticas, como cacau e baunilha.
Apesar do avanço das alternativas, especialistas acreditam que o café continuará relevante por muito tempo. A World Coffee Research, organização que atua no desenvolvimento de variedades mais resistentes a doenças e às mudanças climáticas, prevê que a inovação e o investimento no setor permitirão manter a produção viável e sustentável.
A entidade recebeu, em 2024, um aporte de US$ 10 milhões para impulsionar pesquisas agrícolas que melhorem a produtividade e reduzam o impacto ambiental, ajudando a proteger espécies como o arábica — uma das mais ameaçadas pela perda de habitat e doenças.
Fonte: Food Dive







