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Coca-Cola pode voltar às origens e usar açúcar de cana nos EUA

Uma fala recente de Donald Trump nas redes chamou atenção para um possível movimento da Coca-Cola nos Estados Unidos: o retorno ao uso de açúcar de cana em vez do tradicional xarope de milho com alto teor de frutose. Segundo o presidente, a empresa teria concordado com a mudança, após conversas diretas. A Coca-Cola, no entanto, ainda não confirmou oficialmente a informação.

Nos Estados Unidos, a fórmula da Coca-Cola há décadas utiliza o xarope de milho como adoçante, principalmente por seu custo mais baixo e maior estabilidade nas prateleiras. Apesar disso, o ingrediente é alvo de críticas por estar associado a problemas de saúde pública. Autoridades como Robert F. Kennedy Jr. vêm reforçando que o xarope está “em toda parte” e que sua presença constante na alimentação contribui para quadros de obesidade e doenças crônicas.

Embora a Coca-Cola não tenha se manifestado sobre a possível reformulação, vale lembrar que a empresa já comercializa em alguns mercados, como o México, versões da bebida adoçadas com açúcar de cana — uma preferência entre consumidores que buscam um sabor mais próximo da fórmula original.

Outro fator de destaque é o impacto da notícia nos mercados. As ações da Archer-Daniels-Midland (ADM), gigante do setor de ingredientes e produtora de xarope de milho, caíram mais de 7% após o comentário de Trump. Já os papéis da Coca-Cola permaneceram praticamente estáveis.

A mudança, caso confirmada, pode sinalizar um reposicionamento da marca frente à crescente demanda por ingredientes mais naturais e ao debate sobre saudabilidade nos Estados Unidos. Hoje, cerca de 30% do açúcar consumido no país vem da cana — o restante é derivado da beterraba e de importações.

Enquanto a versão Diet da bebida, adoçada artificialmente com aspartame, continua sendo a escolha pessoal de Trump (que inclusive ganhou uma garrafa personalizada da marca em sua posse), parte do mercado e da opinião pública parece atenta à reformulação da versão clássica.

Para o setor de foodservice, essa discussão se conecta a movimentos mais amplos: o crescimento da demanda por produtos com rótulos mais limpos, transparência nos ingredientes e nostalgia de sabores mais “puros”. Vale acompanhar.



Fonte: Bloomberg Línea

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