FoodBiz

Crise do gado nos EUA fecha fábricas e amplia importações

Freepik

Os Estados Unidos devem aumentar as importações de carne bovina em 2026 diante da crise estrutural que atinge a pecuária local. A projeção é do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que revisou para 2,53 milhões de toneladas a estimativa de compras externas neste ano — alta de 22,7 mil toneladas em relação ao relatório anterior.

Enquanto as importações avançam, as exportações seguem estimadas em 1,1 milhão de toneladas, refletindo o cenário de oferta mais restrita no mercado doméstico.

No início de fevereiro, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva ampliando as importações de carne da Argentina. A medida busca aliviar os preços ao consumidor, em um contexto de produção menor e custos elevados.

Rebanho no menor nível em décadas

A crise da pecuária americana se intensificou ao longo dos últimos cinco anos, marcada pela contração do ciclo pecuário e redução consistente do rebanho. Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, totalizando 27,9 milhões. O rebanho bovino total está no menor patamar desde 1952, segundo o USDA.

A seca prolongada no oeste dos EUA agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir áreas de pastagem. Muitos produtores optaram por liquidar parte dos rebanhos para preservar caixa, em vez de reter fêmeas para reprodução.

Em 2025, a produção de carne bovina no país recuou 4% frente a 2024, somando 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os EUA perderam a liderança global para o Brasil.

Embora o USDA tenha lançado no segundo semestre passado um plano de apoio à expansão dos rebanhos, a recomposição é lenta. O ciclo entre o nascimento do bezerro e o abate leva de dois a três anos, o que limita uma recuperação rápida da oferta.

Fechamento de plantas e ajuste industrial

O ambiente de oferta restrita e margens pressionadas também impacta a indústria frigorífica. No dia 13, a Cargill anunciou o fechamento definitivo de sua unidade de processamento de carne bovina em Milwaukee, Wisconsin. A produção será interrompida em abril, com encerramento total das atividades no fim de maio, resultando na eliminação de 221 postos de trabalho.

Outras empresas também vêm ajustando operações. Em dezembro, a JBS Foods comunicou o fechamento permanente de uma planta próxima a Los Angeles. Antes disso, a Tyson Foods encerrou as atividades de uma unidade em Nebraska, citando dificuldades na oferta de gado.

Produção e preços em 2026

Apesar do cenário desafiador, o USDA revisou levemente para cima a projeção de produção para 2026, agora estimada em 11,76 milhões de toneladas — acréscimo de 83,9 mil toneladas frente à previsão anterior. O ajuste considera aumento líquido no abate e pesos médios de carcaça acima do esperado no início do ano.

Ainda assim, o ciclo pecuário segue como principal fator de volatilidade no setor.

No mercado de boi gordo, os preços continuam em patamares elevados. Em janeiro, a média nas cinco principais regiões comercializadoras foi de US$ 234,58 por cwt (hundredweight), US$ 8,32 acima de dezembro e mais de US$ 30 superior ao recorde anterior para o mês. Na primeira semana de fevereiro, a média atingiu US$ 241,31 por cwt.

Com base nesse desempenho, a projeção de preço para 2026 foi elevada em US$ 4,50, para US$ 240,25 por cwt — quase 7% acima do estimado para 2025.

Mesmo com possíveis ajustes sazonais no curto prazo, o quadro estrutural de oferta restrita mantém o viés de sustentação dos preços no mercado pecuário americano ao longo de 2026 — movimento que pode abrir espaço adicional para exportadores globais atentos às oportunidades no mercado norte-americano.

>Fonte: Exame

Compartilhar