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Disputa entre Death Wish Coffee e Liquid Death expõe limites da ousadia

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A Death Wish Coffee Co., marca nova-iorquina conhecida por seu café de alto teor de cafeína, moveu uma ação judicial contra a Liquid Death, empresa de bebidas enlatadas famosa por seu marketing provocador. O processo, aberto em um tribunal federal da Califórnia, busca impedir a Liquid Death de lançar uma linha de cafés que, segundo a Death Wish, infringe suas marcas registradas associadas ao termo “Death”.

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O conflito das “marcas mortais”

A Death Wish alega que a Liquid Death, ao tentar registrar o nome “Liquid Death Deathuccino”, criaria confusão entre os consumidores. A argumentação sustenta que ambas as empresas compartilham uma “estética quase idêntica”, com um apelo visual e comunicacional voltado ao humor sombrio e à irreverência — elementos que se tornaram a base de suas estratégias de branding.

Para a Death Wish, o risco está na confusão reversa: consumidores poderiam associar seus cafés à Liquid Death ou acreditar que a marca original é uma extensão ou imitação da concorrente, especialmente considerando que os produtos podem dividir o mesmo espaço nas gôndolas de grandes redes como Walmart, Target e Kroger.

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Tentativas de acordo e disputa judicial

De acordo com os documentos apresentados, a Death Wish tentou negociar com a Liquid Death antes de acionar a Justiça, pedindo que a rival desistisse dos pedidos de marca registrada. Sem acordo, optou por recorrer ao tribunal, solicitando a suspensão imediata do uso de nomes que contenham o termo “Death” em produtos de café, além de indenização e ressarcimento de honorários legais.

O caso é representado pelo escritório BraunHagey & Borden LLP e conta com uma queixa de mais de 20 páginas detalhando a trajetória e o posicionamento da Death Wish como uma marca consolidada no mercado de cafés energéticos.

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A resposta da Liquid Death

Em comunicado oficial, a Liquid Death negou planos imediatos de lançar um café pronto para beber, embora tenha admitido explorar “inovações futuras” dentro do universo da marca. A empresa também argumentou que nenhuma companhia pode reivindicar exclusividade sobre o termo “Death”, citando a existência de várias marcas que utilizam a palavra em diferentes segmentos.

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O impacto no mercado

Essa disputa destaca um ponto sensível no mundo do branding contemporâneo: até que ponto o uso de uma identidade provocativa pode coexistir entre categorias diferentes de produtos sem gerar conflito? À medida que empresas de bebidas diversificam seus portfólios e buscam novos territórios — como cafés, energéticos e águas funcionais —, os limites entre inspiração e infração se tornam cada vez mais tênues.


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Fonte: Food Bev

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