A gigante chinesa de cafeterias Luckin Coffee parece estar se preparando para dar seus primeiros passos no mercado norte-americano.
Segundo uma reportagem do Financial Times, a empresa tem planos de abrir sua primeira loja nos Estados Unidos em 2025. A novidade ganhou mais força com a publicação do Tribeca Citizen, que revelou que uma das unidades será uma loja boutique localizada em Nova York.
Apesar do burburinho, representantes da Luckin não comentaram oficialmente sobre o assunto.
De escândalo à liderança de mercado
Fundada em 2017, a Luckin Coffee rapidamente se destacou na China com um modelo de negócios inovador e altamente tecnológico. Sua ascensão meteórica atraiu grandes investimentos e até levou a empresa a abrir capital nos EUA. No entanto, essa trajetória foi interrompida por um escândalo de fraude contábil, que resultou na demissão de executivos, falência e uma profunda reestruturação interna.
Mas a Luckin deu a volta por cima. Após a recuperação, a rede retomou seu crescimento e, recentemente, ultrapassou a Starbucks em número de unidades na China. Entre junho e dezembro de 2023, a empresa saltou de 10.836 para impressionantes 22.340 lojas — mais que o dobro em apenas seis meses.
Para efeito de comparação, a rede KFC, uma das maiores do mundo, tem cerca de 32.000 unidades e existe há décadas.
Estratégia de expansão global
O apetite da Luckin pelo crescimento global é claro. A marca já está presente em Cingapura, onde opera 51 lojas, e em janeiro deste ano, inaugurou suas duas primeiras unidades na Malásia. Em uma apresentação recente a investidores, o CEO Jinyi Guo afirmou que a empresa vai adotar modelos operacionais flexíveis e personalizados para impulsionar sua presença internacional.
Além disso, a Luckin está se preparando para dar conta da demanda, com medidas para reforçar o fornecimento de grãos de café.
Um mercado competitivo (e diferente)
Ao entrar nos EUA, a Luckin enfrentará um cenário muito mais competitivo do que o chinês. Por lá, o hábito de consumo de café é diferente, com menor frequência, mas ainda com grande potencial de crescimento.
A concorrência inclui desde gigantes como Starbucks e Dunkin’ até redes de drive-thru em expansão, como Dutch Bros, Scooters e 7 Brew. Restaurantes fast-food como McDonald’s e Wendy’s também disputam esse mercado, assim como lojas de conveniência como a 7-Eleven.
E qual é a aposta da Luckin para se destacar? Preços mais baixos. De acordo com o Financial Times, a rede pretende oferecer bebidas com preços entre US$ 2 e US$ 3, uma estratégia que pode atrair consumidores em busca de qualidade a preços acessíveis.