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Malásia reconhece que carne cultivada pode ser halal

A autoridade islâmica da Malásia deu um passo relevante ao declarar que a carne cultivada pode ser considerada halal, desde que cumpra critérios específicos da lei islâmica. A decisão é considerada inédita em um país de maioria muçulmana e ajuda a dar mais clareza ao debate sobre os chamados alimentos do futuro.

O posicionamento foi divulgado pelo Departamento de Desenvolvimento Islâmico da Malásia (Jabatan Kemajuan Islam Malaysia – JAKIM), por meio do Comitê Nacional de Muzakarah. Segundo a fatwa, a carne cultivada é permitida pela Sharia quando as células iniciais são obtidas de animais abatidos conforme os preceitos islâmicos e quando todos os meios de cultura e componentes biológicos utilizados no processo têm origem halal. Isso exclui, por exemplo, o uso de soro sanguíneo ou outros ingredientes classificados como haram.

A decisão vem na esteira do Estudo Nacional de Viabilidade da Carne Cultivada, recentemente concluído no país, e integra uma iniciativa mais ampla do governo malaio, com apoio do primeiro-ministro, para avaliar o potencial de novas tecnologias alimentares.

O entendimento da Malásia está alinhado a posicionamentos semelhantes do Conselho Islâmico de Singapura, da Federação Muçulmana Coreana e da Academia Internacional de Jurisprudência Islâmica (IIFA), indicando um consenso crescente, especialmente na Ásia, sobre a permissibilidade da carne cultivada dentro dos parâmetros religiosos.

Durante o processo de discussão, o Good Food Institute (GFI) APAC contribuiu com apresentações técnicas sobre a ciência por trás da carne cultivada e dados do setor. De acordo com pesquisas compartilhadas pela entidade, 87% dos produtores afirmam priorizar o atendimento aos padrões halal.

Para Mirte Gosker, CEO do GFI APAC, a decisão da Malásia tende a ter impactos que vão além do mercado local. “Como um dos maiores mercados halal do mundo e uma referência na definição de padrões multilaterais, essa fatwa sinaliza um consenso global em formação sobre a carne cultivada”, afirmou. Segundo ela, a medida também cria um ambiente mais favorável para a colaboração entre Malásia, Singapura e outros países interessados em desenvolver sistemas alimentares mais seguros e sustentáveis.

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Fonte: Food Bev

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