Os tradicionais sachês de ketchup, maionese, mostarda e sal estão perdendo espaço em diferentes países. O motivo vai além da estética: impacto ambiental, desperdício e questões sanitárias colocaram as embalagens de uso único no centro do debate regulatório global.
Na União Europeia, a decisão já tem data definida. A partir de agosto de 2026, bares, restaurantes e hotéis não poderão mais oferecer sachês descartáveis para consumo no local. A medida faz parte da atualização das regras de embalagens e resíduos, que busca reduzir plásticos de uso único e acelerar a adoção de soluções reutilizáveis.
A Europa não está sozinha nesse movimento. Países como Espanha, seguindo o pacote regulatório europeu, já direcionam o foodservice para o uso de dispensers e recipientes recarregáveis. Em mercados como República Tcheca, Estados Unidos e Canadá, iniciativas regionais também avançam para limitar a distribuição automática de sachês e outros plásticos descartáveis.
Por que os sachês entraram na mira?
Apesar da praticidade, os sachês se multiplicam em escala. Bilhões de unidades são descartadas todos os anos, com baixa taxa de reciclagem e alto impacto ambiental. Além disso, estudos acadêmicos já apontaram riscos sanitários: análises conduzidas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro identificaram presença significativa de fungos e bactérias na parte externa das embalagens, resultado do manuseio ao longo da cadeia até chegar ao consumidor.
E o Brasil?
No Brasil, ainda não existe uma legislação federal que proíba os sachês de forma ampla. No entanto, o tema já foi debatido em diferentes cidades e estados e tende a ganhar força à medida que decisões internacionais se consolidam.
Caso o movimento avance por aqui, o cenário mais provável envolve:
- uso de dispensers reutilizáveis nos salões;
- oferta de molhos sob pedido, reduzindo desperdício;
- revisão do uso de sachês também no delivery.
A mudança pode parecer pontual, mas tem potencial para reduzir toneladas de plástico por ano e exigir ajustes operacionais relevantes no foodservice. Mais do que uma tendência ambiental, trata-se de uma adaptação estrutural que começa fora e pode chegar ao mercado brasileiro.
Fonte: metropoles







