Três dos maiores grupos de laticínios do mundo — Nestlé, Danone e Lactalis — estão no centro de uma crise sanitária internacional após a identificação da toxina cereulida em fórmulas infantis. O problema, associado a ingredientes fornecidos por terceiros, levou ao bloqueio e recall preventivo de lotes em diversos mercados, incluindo o Brasil.
A Nestlé foi a primeira a anunciar o recall no início de janeiro, suspendendo a comercialização de produtos de nutrição infantil em dezenas de países. A cereulida, toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus, pode causar náuseas e vômitos, o que acendeu o alerta das autoridades sanitárias.
Poucos dias depois, a crise se ampliou. A Agência de Alimentos de Cingapura determinou o recall preventivo de produtos da Danone e da Nestlé após detectar a substância em análises de rotina. Já a Lactalis confirmou que sua divisão de nutrição infantil iniciou o recolhimento de lotes em 18 países, após identificar a presença da toxina em um ingrediente fornecido por um parceiro externo.
Na França, um inquérito judicial está em andamento para investigar uma possível relação entre a morte de um bebê e o consumo de leite infantil da Nestlé. Segundo o Ministério da Agricultura francês, os resultados da apuração devem ser divulgados em cerca de dez dias.
O impacto no mercado financeiro também foi imediato. As ações da Danone chegaram a cair mais de 8% em um único dia, atingindo o menor patamar desde fevereiro de 2025. A empresa afirma que seus controles internos confirmaram a segurança dos produtos e que não foram encontradas irregularidades relacionadas à bactéria em suas fábricas.
O episódio reforça a importância da gestão rigorosa da cadeia de suprimentos, especialmente em categorias sensíveis como nutrição infantil, que representam uma fatia relevante das receitas de grandes grupos globais. Para a Danone, essa categoria responde por cerca de 21% do faturamento; na Nestlé, aproximadamente 5%.
Conteúdo originalmente publicado pela Forbes

