A Unilever sinalizou que o crescimento das vendas em 2026 deve ficar no limite inferior da sua projeção plurianual, estimada entre 4% e 6%. A revisão reflete um cenário mais fraco nos Estados Unidos e na Europa, apesar do desempenho acima do esperado nos mercados emergentes no quarto trimestre.
A companhia, dona de marcas como Dove e Hellmann’s, atravessa um momento estratégico após a cisão da divisão de sorvetes Magnum, concluída em dezembro. Desde março de 2025, sob o comando do CEO Fernando Fernandez, a empresa vem reforçando o foco em cuidados pessoais, beleza e bem-estar — categorias que já representam mais da metade da receita global.
No quarto trimestre, o crescimento orgânico das vendas foi de 4,2%, acima da expectativa de 3,9%. Países emergentes como Índia, Indonésia e China seguiram impulsionando os resultados. Ainda assim, há dúvidas sobre até que ponto esses mercados conseguirão compensar uma eventual desaceleração prolongada nas economias desenvolvidas.
Na América do Norte, o avanço das vendas caiu para 2,8% no período, embora a empresa afirme ter ganhado participação de mercado. Na Europa, o crescimento foi praticamente estável, em 0,1%. Ambas as regiões registraram desempenho inferior ao observado no terceiro trimestre.
A Unilever também informou que espera uma melhora modesta sobre a margem operacional de 20% registrada em 2025 e anunciou um novo programa de recompra de ações no valor de 1,5 bilhão de euros.
O lucro operacional anual subjacente recuou 1,1%, totalizando 10,1 bilhões de euros, em linha com as estimativas de mercado. As ações da companhia chegaram a cair 1% no início do pregão após a divulgação dos resultados.
Para o foodservice, os números reforçam um movimento que já vem sendo observado globalmente: enquanto mercados maduros mostram sinais de arrefecimento, países emergentes seguem como motores relevantes de crescimento — ainda que com capacidade limitada de compensar totalmente a desaceleração no eixo EUA-Europa.







