A busca por produtos mais naturais já não é tendência — é movimento consolidado. E ele começa a redesenhar também o mercado de energéticos. Segundo o relatório Health and Wellness 2024, da NielsenIQ, 62% dos consumidores globais dizem priorizar alimentos com ingredientes naturais, enquanto 58% afirmam prestar mais atenção aos rótulos do que há cinco anos.
Esse comportamento abre espaço para novas propostas dentro da categoria. É nesse cenário que chega ao Brasil a Machu Picchu Energy, startup fundada por Bernardo Paiva, ex-CEO da Ambev, junto com Silvio Reichert e Silvio Morais.
A marca aposta em uma linha de “energy mates” — bebidas à base de erva-mate, com cafeína natural, zero açúcar e zero calorias. A proposta é oferecer energia de liberação gradual, sem os efeitos colaterais mais associados aos energéticos tradicionais, como picos de ansiedade ou palpitações.
Para Paiva, o movimento é claro: “A preocupação com produtos mais saudáveis está transformando a indústria e o varejo. Esse deve ser um dos principais vetores de crescimento nos próximos anos”.
Rotulagem e transparência aceleram a mudança
A evolução do consumo também ganha força com mudanças regulatórias. Desde 2023, produtos com altos teores de açúcar, sódio e gordura passaram a exibir alertas nas embalagens. Uma pesquisa da Bain & Company, com quase 2 mil consumidores, mostrou que 56% já consideram essas informações na decisão de compra.
Mais do que evitar excessos, o consumidor atual busca coerência entre produto, estilo de vida e valores. Ingredientes naturais, menos aditivos e clareza na composição deixaram de ser diferenciais — viraram pré-requisitos.
Outro dado relevante: o segmento zero açúcar é hoje o que mais cresce dentro da categoria de energéticos no Brasil, aumentando sua participação de mercado de 12% para 16%.
Comunicação também entra no jogo
Esse novo consumidor também exige mudanças na forma como as marcas se posicionam. Segundo Carolina Bassili, diretora de marketing da Machu Picchu Energy, não basta reformular o produto — é preciso alinhar toda a comunicação.
Isso inclui desde a escolha de influenciadores até a presença em eventos e o tom das redes sociais. A conexão com propósito, estilo de vida e impacto social passa a ser parte central da estratégia.
No caso da Machu Picchu, esse discurso está ligado ao universo outdoor e à conexão com o bem-estar.
Portfólio e posicionamento
A marca chega ao mercado com três sabores: Ocean Citrus, Wild Berry e Alpine Mint, mirando principalmente um público jovem, urbano e atento à saúde.
O avanço desse tipo de proposta reforça um ponto importante para o foodservice: categorias tradicionalmente associadas ao indulgente — como energéticos — estão sendo reconfiguradas por uma demanda mais consciente.
Para operadores, isso sinaliza uma oportunidade: acompanhar essa transição pode significar capturar novos perfis de consumo dentro de categorias já consolidadas.
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Fonte: Embalagem Marca







