A mobilização nacional dos entregadores que atuam por meio de plataformas digitais continua nesta terça-feira, 1º de abril, em diversas cidades brasileiras. A paralisação, chamada de Breque dos Apps, tem como foco principal denunciar a precarização das relações de trabalho e cobrar melhorias nas condições oferecidas pelas empresas do setor.
Na cidade do Rio de Janeiro, a manifestação na zona norte resultou em prisões e autuações de participantes. Já em São Paulo, representantes do movimento foram recebidos na sede do iFood para apresentar suas reivindicações.
Na segunda-feira, 31 de março, a categoria realizou diversos atos pela Grande São Paulo, incluindo protestos em frente ao escritório da plataforma iFood. Os trabalhadores pedem remuneração justa, melhores condições de segurança e valorização da profissão.
Reivindicações principais dos entregadores:
- Taxa mínima de R$ 10 por corridas de até 4 km;
- Valor adicional de R$ 2,50 por quilômetro percorrido;
- Limitação de entregas por bicicleta a um raio máximo de 3 km;
- Pagamento completo da taxa de cada pedido, mesmo em entregas agrupadas.
Segundo o Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas do Estado de São Paulo (Sindimotosp), os entregadores enfrentam longas jornadas e recebem valores que muitas vezes não cobrem nem os custos básicos, como alimentação, combustível e manutenção dos equipamentos. Em casos de acidente ou falecimento, as plataformas costumam se isentar de responsabilidades, o que agrava ainda mais a situação de vulnerabilidade desses trabalhadores.
Impacto nos estabelecimentos
A paralisação causou efeitos imediatos no setor de alimentação. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP), bares e restaurantes que operam exclusivamente com o iFood tiveram queda total nas entregas na segunda-feira. Estabelecimentos que usam múltiplos aplicativos registraram redução de 70% a 80% no volume de pedidos, enquanto aqueles com frota própria observaram um crescimento de até 50% na demanda.
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Posicionamento do iFood
Em nota, a empresa informou que está monitorando as manifestações e mantendo as operações com apoio dos restaurantes que realizam as entregas diretamente — atualmente, cerca de 60% dos pedidos são entregues dessa forma. O iFood confirmou também que se reuniu com nove representantes dos manifestantes em sua sede em Osasco e que está avaliando as demandas apresentadas.
Ações no Rio de Janeiro
Na capital fluminense, um protesto no bairro da Tijuca foi interrompido pela Polícia Militar após denúncias de que entregadores estavam sendo coagidos a aderir à greve. Segundo a Polícia Civil, 13 pessoas foram levadas à delegacia, e seis foram autuadas por associação criminosa e atentado contra a liberdade de trabalho.
Mesmo assim, os atos seguem acontecendo. Na manhã desta terça-feira (1), um buzinaço tomou as ruas do bairro de Botafogo, na zona sul do Rio, chamando a atenção da população para a luta dos entregadores.
Essa adaptação foi inspirada na matéria original publicada pela Mercado&Consumo