A Keeta, braço internacional da gigante chinesa Meituan, anunciou que vai adiar o início de suas operações no Rio de Janeiro. A chegada estava prevista para o dia 26 de fevereiro, mas a empresa decidiu postergar a estreia, pouco mais de dois meses após iniciar suas atividades em São Paulo, no fim de novembro.
Em comunicado, a companhia afirmou que contratos de exclusividade firmados por plataformas já consolidadas no país — como iFood, Rappi e 99Food — representam uma distorção competitiva e dificultam a entrada de novos players. Segundo a Keeta, o principal concorrente, que concentra cerca de 80% do mercado de delivery de alimentos, ainda manteria acordos desse tipo, mesmo com restrições impostas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A empresa não informou uma nova data para iniciar a operação no Rio ou em outras cidades, mas reforçou o plano de investir R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo de cinco anos. No estado fluminense, a Keeta já havia aderido, em dezembro, ao programa de monitoramento de motocicletas.
Avanço em São Paulo e desafios estruturais
Em quase três meses de operação na capital paulista e em cidades como Santos, São Vicente e municípios da região metropolitana, o aplicativo já ultrapassou 2,8 milhões de downloads. A base de restaurantes cresceu 40% no período, superando 38 mil estabelecimentos cadastrados.
Segundo a empresa, o tempo médio de entrega é de 31 minutos. Ainda assim, a Keeta aponta que a barreira da exclusividade impactaria cerca de 50% das grandes redes de restaurantes no Brasil. Desde o início, a companhia afirma não adotar contratos exclusivos com parceiros.
Na China, a Meituan atende cerca de 800 milhões de usuários e registra, em média, 80 milhões de pedidos por dia — volume que, segundo a própria empresa, equivale ao total mensal do mercado brasileiro.
Em Santos, a Keeta afirma ter treinado mais de 2 mil entregadores e disponibilizado capacetes inteligentes como parte da estratégia de segurança.
A movimentação da empresa intensifica a disputa no delivery brasileiro, colocando pressão sobre a liderança do iFood, os investimentos do Rappi e a retomada das operações do 99Food. Para o foodservice, o episódio reacende a discussão sobre concorrência, contratos de exclusividade e o equilíbrio nas relações entre plataformas e restaurantes.
Fonte: Estadão







