FoodBiz

Trabalho por aplicativo pode reduzir criminalidade, aponta estudo do MIT

Uma nova pesquisa do MIT (Massachusetts Institute of Technology) traz insights importantes para o debate sobre trabalho por aplicativo e seus impactos sociais. O estudo, conduzido pela economista Isadora Frankenthal, analisou dados de 118 municípios paulistas entre 2010 e 2019 e identificou uma relação direta entre a expansão do delivery e a redução da criminalidade — especialmente em regiões de menor renda.

O que o estudo descobriu

Segundo a pesquisa, a entrada do iFood nas cidades estudadas foi acompanhada de:

  • Queda de 10,4% nos crimes totais nas áreas onde o serviço passou a operar.
  • Redução de 26,7% nos crimes violentos em bairros mais pobres, onde o impacto econômico é mais significativo.
  • Diminuição de crimes patrimoniais, incluindo roubos e furtos.
  • Efeito persistente por até cinco anos após a chegada da plataforma.

A explicação está na inclusão econômica: jovens de baixa qualificação — grupo associado a crimes de oportunidade — encontram no delivery uma alternativa de renda rápida e acessível. Assim, a propensão ao crime diminui tanto nos bairros onde vivem quanto em outras regiões das cidades.

Horários de pico e impactos diretos

A pesquisa mostra ainda que as reduções de crime são maiores nos períodos em que o trabalho de entrega é mais lucrativo, como:

  • almoço
  • jantar

Ou seja, quando há mais demanda e a remuneração aumenta, o custo de oportunidade para cometer um delito também cresce.

Quem são os entregadores

O levantamento reforça que a maior parte dos entregadores é formada por:

  • homens jovens
  • com baixa escolaridade
  • moradores de regiões mais vulneráveis

Esse perfil coincide com o grupo historicamente mais propenso a crimes patrimoniais — o que ajuda a explicar o impacto do trabalho por aplicativo nesses indicadores.

Debate mais amplo: segurança, mobilidade e regulação

O estudo surge em um momento em que cidades como São Paulo discutem regras para serviços como mototáxi e a atuação de plataformas digitais. Questões como segurança no trânsito, formalização da categoria e fiscalização seguem em pauta.

Pesquisadores como Luiz Guilherme Scorzafave, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destacam a qualidade da pesquisa e reforçam como ela contribui para entender o papel do mercado de entrega na dinâmica urbana.

Renda e condições de trabalho

Outro ponto relevante diz respeito ao rendimento. Dados analisados pelo economista Nelson Marconi (FGV-Eaesp) mostram que trabalhadores por aplicativo classificados como MEI recebiam, em média, mais do que trabalhadores formais em áreas como transporte:

  • Conta própria com CNPJ (transporte): 1,22
  • Trabalhadores formais no setor: 0,88

Isso ajuda a contextualizar por que esse tipo de ocupação se expandiu tão rapidamente na última década.

Por que isso importa para o foodservice

Para o setor de alimentação fora do lar, o estudo reforça algo que o IFB acompanha de perto:

  • O delivery não é só uma tendência de consumo — é um vetor de impacto econômico e social.
  • Plataformas moldam o mercado de trabalho, influenciam renda, mobilidade e até indicadores de segurança pública.
  • Cidades mais seguras e trabalhadores mais integrados significam um ecossistema mais saudável para restaurantes, marcas e operadores.

No Portal Foodbiz, temos acompanhado como tecnologia, logística e comportamento do consumidor redesenham o foodservice.

.
Fonte: Folha de SP

Compartilhar