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Páscoa inclusiva: como evitar alergias e restrições

PÁSCOA INCLUSIVA: Saiba como evitar alergias alimentares e fazer escolhas seguras
Alergias a mariscos e frutos do mar, além da intolerância à lactose, estão entre as principais causas de restrições na Páscoa

A intolerância à lactose atinge 68% dos adultos no mundo, segundo estudo publicado na revista The Lancet, em 2017. No Brasil, o índice ultrapassa 65% da população, com variações entre as diferentes etnias. Nesse contexto, a Páscoa, marcada pelo aumento no consumo de chocolate e derivados do leite, exige atenção redobrada. Além disso, frutos do mar também estão entre os principais causadores de alergias alimentares.

“Nossos corpos ‘desligam’ a produção da enzima lactase após a infância. Isso é biologia, não frescura. Em alguns casos, a produção da enzima já é baixa desde o nascimento. Isso gera situações em que algumas pessoas toleram certa quantidade de lactose, mesmo que pequena, enquanto outras precisam restringir completamente”, afirma Denis Harley Nunes Lima, docente de Nutrição do Centro Universitário UniFG Bahia, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima.

Já no caso de alergia alimentar, como a provocada por frutos do mar, o cenário é diferente: o sistema imunológico reage às proteínas do alimento. “A maioria dos casos é grave o suficiente para causar anafilaxia, reação que pode fechar a garganta em minutos e exige atendimento imediato. Pior: diferente de outras alergias, ela frequentemente aparece pela primeira vez na vida adulta”, afirma Denis Harley Nunes Lima.

Os vilões ocultos

Na Páscoa, o perigo está onde menos se espera. Algumas preparações podem conter frutos do mar como ingredientes ou terem sido feitas no mesmo ambiente, sem higienização adequada, o que pode levar à contaminação por proteínas que causam alergias. A mesma colher que mexeu o camarão vai parar no arroz. A fritadeira usada para o peixe acabou de fritar camarões. Para pessoas alérgicas, isso já é suficiente para desencadear uma crise.

Mas não é preciso deixar de aproveitar esse momento festivo. Veja algumas possíveis substituições:

No lugar do chocolate ao leite

Chocolates com 70% ou mais de cacau: têm menos açúcar e há versões zero lactose no mercado, além de serem ricos em antioxidantes.

Chocolates com leites vegetais: leite de coco, castanha ou aveia substituem o leite de vaca sem perder a cremosidade.

Se for preparar em casa: óleo de coco pode substituir a manteiga, e o leite de aveia é uma opção neutra para receitas.

No lugar dos mariscos e frutos do mar

Banana-da-terra verde: em moquecas, absorve o tempero e imita a textura do peixe.

Cogumelos shiitake: adicionam sabor mais intenso a ensopados.

Grão-de-bico: triturado e temperado, pode ser usado como base para versões vegetais de pratos tradicionais.

O que não pode faltar na substituição?

Retirar mariscos e frutos do mar da alimentação também significa reduzir a ingestão de nutrientes essenciais, como ômega-3, zinco, ferro e vitamina B12. Para substituir o ômega-3, é possível consumir linhaça, chia e nozes. No entanto, quem não consome peixe pode considerar a suplementação com óleo de algas. Já a vitamina B12 não está presente naturalmente em alimentos vegetais, sendo necessária a suplementação ou o consumo de alimentos fortificados para quem elimina mariscos, ovos e laticínios. Também é possível avaliar o consumo de peixes que, em geral, não causam alergias alimentares.

Roteiro de segurança

Na prática, é importante estar atento a alguns cuidados para aproveitar a ocasião sem problemas. “Intolerantes à lactose devem preferir chocolate amargo e evitar ‘só um pedacinho’ de chocolate ao leite, a não ser que seja zero lactose. Caso consumam por engano, é importante ter à mão a enzima lactase, na dose indicada por médico ou nutricionista”, destaca o professor de Nutrição do UniFG Bahia.

Já para pessoas alérgicas a mariscos e frutos do mar, ele alerta que nunca se deve sair de casa sem um medicamento antialérgico prescrito. “Avise o anfitrião com antecedência sobre sua condição e tenha cautela com buffets abertos ao público em geral”, ressalta.

Dicas para quem vai receber em casa

Para quem vai preparar a recepção, é importante separar utensílios para pratos especiais, manter a higiene rigorosa e evitar o uso do mesmo equipamento para diferentes preparos sem a devida limpeza. Preparar primeiro as alternativas seguras, como arroz, feijão e saladas, antes da cozinha ser potencialmente contaminada, também é uma boa prática. Além disso, vale investir em opções saborosas, que não pareçam “prato de hospital”. Uma moqueca de banana-da-terra bem-feita, por exemplo, pode ser tão festiva quanto a versão tradicional.

O futuro é inclusivo

O mercado já oferece ovos de Páscoa veganos que competem com os tradicionais em sabor e qualidade. Muitos restaurantes também passaram a incluir opções específicas em seus cardápios. Ao mesmo tempo, a ciência avança na busca por tratamentos mais acessíveis e eficazes.

Enquanto isso, a informação continua sendo essencial. Entender que a intolerância à lactose é mais comum do que parece ajuda a reduzir estigmas. Saber que alergias alimentares são sérias, mas podem ser controladas, permite viver com mais segurança. Afinal, a Páscoa é sobre celebração. E celebrar só faz sentido quando todos podem estar à mesa sem medo.

Fonte: assessoria

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