Presente no dia a dia do foodservice e da alimentação dos brasileiros, o tomate ganhou um novo argumento a favor da sua presença no prato. Um estudo recente publicado no British Journal of Nutrition sugere que o consumo regular do fruto pode estar associado a um menor risco de desenvolvimento da pressão alta.
A pesquisa analisou dados de aproximadamente 44 mil adultos da Coreia do Sul e observou que pessoas com maior ingestão de tomate apresentaram entre 6% e 14% menos risco de desenvolver a chamada pré-hipertensão — estágio em que a pressão arterial já está acima do ideal, mas ainda não configura a doença.
Os dados fazem parte de um amplo levantamento populacional conduzido entre 2004 e 2016, que avaliou alimentação, estilo de vida e condições de saúde de pessoas entre 40 e 79 anos. A partir de questionários alimentares detalhados, os pesquisadores estimaram o consumo médio diário de tomate e identificaram uma associação consistente entre maior consumo do alimento e menor incidência de pré-hipertensão.
Por que o tomate entra nessa conta?
O interesse dos cientistas pelo tomate não é novo. O fruto é fonte de dois nutrientes frequentemente associados à saúde cardiovascular: o licopeno, um antioxidante responsável pela cor vermelha, e o potássio, mineral conhecido por auxiliar no controle da pressão arterial.
Estudos anteriores já indicavam que o consumo de suco ou extrato de tomate por algumas semanas poderia contribuir para a redução da pressão arterial. O licopeno, em especial, tem sido associado à melhora da função dos vasos sanguíneos, à redução da inflamação e ao equilíbrio dos níveis de colesterol no sangue — fatores diretamente ligados ao risco cardiovascular.
O potássio, por sua vez, atua como um antagonista do sódio, ajudando os vasos a relaxarem e facilitando a circulação do sangue.
Atenção às interpretações
Apesar dos resultados positivos, especialistas reforçam que o estudo é observacional. Isso significa que ele identifica associações, mas não permite afirmar que o tomate, por si só, seja o responsável pela redução da pressão arterial.
Outro ponto importante é que o tomate raramente aparece isolado na alimentação. Quem consome mais o fruto tende também a ter uma dieta mais rica em vegetais e hábitos de vida mais saudáveis, o que pode influenciar os resultados.
Os próprios autores destacam a necessidade de novas pesquisas que avaliem outros aspectos da dieta e mensurem diretamente os níveis de licopeno e potássio no organismo dos participantes.
Como consumir melhor?
A forma de preparo faz diferença. O consumo de tomate acompanhado de excesso de sal, molhos prontos ou ingredientes ultraprocessados ricos em sódio pode anular possíveis benefícios.
Por outro lado, o aquecimento do tomate aumenta a biodisponibilidade do licopeno. Preparações como molhos, tomates assados ou refogados, especialmente quando combinadas com uma gordura de boa qualidade — como o azeite de oliva —, ajudam o organismo a absorver melhor o antioxidante.
Para o foodservice, isso abre espaço tanto para cardápios mais saudáveis quanto para narrativas que conectam sabor, técnica culinária e saúde, tema que vem ganhando cada vez mais atenção entre consumidores e operadores do setor.
No fim das contas, o tomate não é um “alimento milagroso”, mas aparece como um aliado interessante dentro de uma alimentação equilibrada e de um estilo de vida saudável — pauta que dialoga diretamente com as discussões sobre nutrição, bem-estar e tendências de consumo acompanhadas pelo IFB e pelo Portal Foodbiz.
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Fonte: Saúde Abril







