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Decreto que estipula metas de reciclagem e avanços no enfrentamento da crise do plástico 

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O Governo Federal lançou o novo decreto sobre logística reversa de embalagens de plástico (12.688/2025), documento que estabelece modelos de operação, institui estruturação e define obrigações que devem ser assumidas pelas empresas do setor. Um dos pontos principais da norma é a determinação de que até 2026, embalagens plásticas deverão contar com no mínimo 22% de matéria prima reciclada, com a meta de alcançar 40% até 2040. O objetivo, assim, é aumentar o índice de reciclagem desses materiais no Brasil, para chegar a 50% nos próximos 15 anos.
 

Para Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da Cirklo, uma das maiores recicladoras de PET no Brasil, o decreto será importante para estimular toda a cadeia de reciclagem e contribuir para o avanço da economia circular no país. “O decreto tem potencial de aumentar o índice de reciclagem, e contribuir para o enfrentamento da crise do plástico, que tem gerado níveis elevados de poluição na água e no solo”, afirma.
 

No mundo, cerca de 430 bilhões de toneladas de plástico são produzidas por ano, e 46% dos resíduos são descartados em aterros, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). No Brasil, de acordo com um estudo coordenado pela Fiocruz, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a Amazônia tem o segundo rio mais poluído por plástico do mundo. A informação foi publicada no artigo “Plastic pollution in the Amazon: the first comprehensive and structured scoping review”, publicado na revista AMBIO, e alerta sobre os impactos socioambientais altamente nocivos quando falta coleta de resíduos apropriada.
 

Apesar da urgência do tema, recentemente a segunda reunião do Comitê Intergovernamental de Negociação sobre Poluição Plástica (INC-2), da ONU, decepcionou especialistas em sustentabilidade pela não formalização de um texto com diretrizes claras para a crise global do plástico. Uma nova reunião deve ser realizada para discutir o tema, ainda sem data definida. Porém, segundo Irineu Barbosa, não se deve retardar tomadas de decisões mais assertivas. “É compreensível que o debate precise ser aprofundado, porque há diferentes variáveis em jogo, como os empregos que a produção de plástico gera e os diferentes usos que o material tem na indústria. Mas enquanto não houver soluções definitivas para a crise, precisamos investir naquilo que se sabe que dá resultado, que é a economia circular”, aponta.
 

Em razão disso, o decreto (12.688/2025) assinado recentemente é visto como um importante avanço no enfrentamento da crise do plástico. “Esse documento vem coroar tudo que temos defendido em relação ao impacto positivo da economia circular e da logística reversa. Os incentivos à coleta seletiva são bem-vindos, por isso estipular metas de matéria-prima reciclada nas embalagens é um passo muito importante. Para além de serem recicláveis, as embalagens precisam de fato serem recicladas, e o decreto vai proporcionar um volume maior de reciclagem em toda a cadeia”, explica o executivo.
 

Impacto ambiental da reciclagem 
 

Quando se trata do PET — amplamente utilizado em garrafas de bebidas, produtos de limpeza e itens de higiene pessoal e cosméticos —, os benefícios ambientais da reciclagem são expressivos. De acordo com estudo conduzido pela ABIPET em 2024, a produção de PET reciclado pode ter uma pegada de carbono 73% menor do que a do PET virgem. Isso significa que, em toda a cadeia produtiva — da extração da matéria-prima ao envase e à chegada da embalagem ao consumidor —, o material reciclado emite muito menos gases de efeito estufa (GEE), contribuindo diretamente para o enfrentamento das crises climáticas. Além disso, a pesquisa mostra que o processo de reciclagem consome cerca de 79% menos energia, o que reforça seu papel como alternativa mais eficiente e sustentável.
 

“Além de emitir menos GEE e demandar menos energia, o PET reciclado também reduz o consumo de água e preserva recursos naturais não renováveis. É uma cadeia produtiva ambientalmente mais equilibrada, que fornece à indústria um material de alta qualidade e versátil para diferentes aplicações”, explica Irineu Bueno Barbosa Júnior, CEO da Cirklo. Ele acrescenta que a reciclagem desempenha papel essencial na redução do descarte inadequado de resíduos plásticos: segundo o PNUMA, 46% desses resíduos ainda vão para aterros e 22% acabam descartados incorretamente. “Reciclar PET significa evitar que milhões de embalagens sejam destinadas a aterros ou ao meio ambiente, reduzindo os impactos da má gestão de resíduos e ajudando a mitigar a poluição”, completa.
 

Potencial econômico 
 

Para o executivo, a distinção que se faz entre lixo e resíduo é um passo importante para a compreensão de que a economia circular é uma solução não só ambientalmente correta, como economicamente viável. “Enquanto lixo é aquele descarte que não tem mais utilidade, o resíduo tem um potencial de uso que ainda é, frequentemente, desperdiçado. A reciclagem tem justamente o papel de aproveitar esse potencial dentro de uma cadeia produtiva que gera renda e oportunidades, tanto para catadores e cooperativas quanto para os diversos profissionais que operam nesta cadeia como um todo. Além disso, ainda supre as demandas da indústria por PET de qualidade, igualmente resistentes e de fácil manipulação pelos consumidores”, explica.

No Brasil, o potencial dos resíduos de PET ainda não é devidamente explorado. Apesar de 56,4% desse tipo de plástico ter sido reciclado no país em 2024, segundo a Associação Brasileira da Indústria de PET (ABIPET) – o que representa um crescimento de 14% em relação a 2022 –, há ainda um espaço para aumento desse índice. “O PET é um dos materiais plásticos mais reciclados, e o avanço que conquistamos é muito positivo, mas ainda tem grande oportunidade de crescimento.
 

Desempenho da Cirklo 
 

A Cirklo, hoje, está em processo de plena expansão, com a expectativa de encerrar 2025 com uma capacidade instalada de 115 mil toneladas anuais, com novas unidades fabris que aumentam seu potencial produtivo. A empresa anunciou recentemente a abertura de uma fábrica em Ananindeua (PA), em parceria com a Solar Coca-Cola, em uma iniciativa que inclui o Norte do país no ciclo da reciclagem de embalagens PET, gerando impacto socioambiental positivo para a região amazônica. Assim, a empresa se consolida como referência em economia circular e fornecimento de r-PET de alta qualidade. Ao processar mais de 3 bilhões de garrafas PET por ano, a Cirklo transforma o plástico descartado em resina reciclada de grau alimentício, certificada pela ANVISA e pelo FDA.
 

Sobre a Cirklo — A Cirklo é uma das maiores recicladoras de PET do Brasil, especializada em soluções de economia circular. Com plantas alocadas no Sudeste, Norte e Nordeste, a empresa transforma garrafas PET pós-consumo em resinas recicladas de alta qualidade para novas embalagens de acordo com seus clientes – marcas nacionais e internacionais. Suas operações contam com tecnologia de ponta, certificações da Anvisa e do FDA, e têm forte presença em todo território nacional. Resultado da fusão entre as empresas Green PCR e Global PET — líderes em reciclagem com mais de 25 anos de trajetória conjunta — e com o suporte estratégico da gestora Flying Rivers e do fundo internacional Circulate Capital, a Cirklo processou mais de 3 bilhões de garrafas PET em 2024 e projeta um impacto ainda maior nos próximos anos. cirklo.eco/ 

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