No Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, ganham destaque iniciativas que enfrentam um dos principais gargalos sociais do Brasil: o acesso de pessoas trans ao mercado de trabalho. Um exemplo vem da Diageo, líder global em bebidas premium e dona de marcas como Johnnie Walker, Tanqueray e Smirnoff, que desenvolve no Ceará o Programa Journey, iniciativa afirmativa voltada à inclusão profissional da comunidade trans.
O contexto reforça a importância do projeto. Dados recentes apontam o Ceará entre os estados com maior número de assassinatos de pessoas trans no país, evidenciando como exclusão, violência e falta de oportunidades caminham juntas.
Criado em 2022, o Programa Journey surgiu a partir de uma provocação direta: “Quantas pessoas como eu você vê aqui?”. A pergunta escancara a baixa presença de pessoas trans nos ambientes corporativos e orienta a proposta do projeto, que atua na unidade da Ypióca, em Itaitinga (CE).
A iniciativa oferece formação e inserção profissional por meio do modelo de Jovem Aprendiz, com uma trilha de desenvolvimento que passa por áreas como Financeiro, Jurídico, Comunicação, Manutenção, Produção, Recursos Humanos e Qualidade. O foco não é apenas a contratação, mas a construção de carreira.
“Nosso compromisso vai além da contratação. Queremos criar uma trilha de desenvolvimento que permita que esses jovens ocupem posições de destaque”, afirma Viviane Besani, diretora executiva de Recursos Humanos da Diageo. Segundo ela, as altas taxas de empregabilidade mostram que, quando barreiras estruturais são removidas, o talento aparece e gera impacto positivo também na economia local.
Atualmente, 18 colaboradores fazem parte do programa, que já passou por 54 jovens desde sua criação. Ao todo, foram mais de 120 horas de capacitação técnica e comportamental. Os resultados chamam atenção: a primeira turma alcançou 95% de empregabilidade, enquanto a segunda chegou a 98%. O perfil dos participantes reflete a diversidade do projeto, com 63% de mulheres trans, 26% de homens trans e 11% de pessoas não binárias.
Para quem participa, o impacto vai além da experiência profissional. Diego Monteiro, colaborador da Diageo e ex-integrante do Journey, resume: “Programas de inclusão funcionam porque transformam vidas. Na Diageo, pude ser quem eu sou, sem esconder minha história. Iniciativas como essa tiram pessoas trans da marginalização e as inserem no mercado de trabalho com dignidade”.
Em um setor como o foodservice, que emprega milhões de pessoas e tem forte presença regional, projetos como o Journey ajudam a ampliar o debate sobre diversidade, inclusão e responsabilidade social nas empresas. Ao investir em capacitação, acolhimento e segurança psicológica, a Diageo contribui para um ambiente corporativo mais plural — tema que também vem sendo acompanhado de perto pelo Portal Foodbiz, ao analisar tendências de gestão, pessoas e impacto social no mercado de alimentação.







