Um estudo recente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) traz uma boa notícia em tempos de crise climática e incerteza econômica: investir em sustentabilidade não é apenas cuidar do meio ambiente — é também abrir caminho para o crescimento econômico e a inclusão social.
Segundo o levantamento, o Brasil tem potencial para criar entre 846 mil e 1 milhão de empregos verdes por ano até 2050, o que significaria mais de 20 milhões de novas vagas em 25 anos, desde que o país avance em políticas de descarbonização e economia sustentável.
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Sustentabilidade e crescimento podem andar juntos
O estudo desmonta a ideia de que desenvolvimento econômico e preservação ambiental são forças opostas. Quando bem planejadas, as políticas sustentáveis geram prosperidade, inovação e empregos de qualidade.
Investimentos em energias renováveis, eficiência energética, restauração florestal e uso racional dos recursos naturais não só reduzem emissões, mas também fortalecem cadeias produtivas regionais e impulsionam setores como alimentação, logística e serviços.
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Oportunidade brasileira
O Brasil parte de uma posição privilegiada: tem uma matriz elétrica majoritariamente limpa, vasto potencial solar e eólico, biodiversidade abundante e uma das maiores reservas de biomassa do mundo.
Com planejamento e coordenação entre governo, empresas e sociedade, o país pode se tornar uma liderança global na economia de baixo carbono, exportando tecnologia e atraindo investimentos.
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O que são empregos verdes
Os chamados empregos verdes são aqueles que contribuem para preservar ou restaurar o meio ambiente — seja no campo, nas cidades ou nas indústrias. Estão em áreas como energia limpa, agricultura regenerativa, reciclagem, transporte público e saneamento.
Mais do que gerar renda, são postos de trabalho que cuidam da vida e podem se tornar uma alavanca de inclusão social. A transição energética, quando justa, deve incluir trabalhadores de diferentes perfis e reduzir desigualdades.
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O desafio: planejar o futuro
Nada disso acontecerá por acaso. Para transformar potencial em realidade, o Brasil precisa de planejamento de longo prazo, políticas públicas consistentes e mecanismos de financiamento que acelerem a transição verde.
Sem coordenação, há o risco de que os ganhos se concentrem em poucos setores e regiões — desperdiçando uma oportunidade histórica.
O estudo do Cebri é, portanto, um chamado à ação: mostra que a sustentabilidade pode e deve ser o motor do desenvolvimento brasileiro. O país tem todas as condições para provar que o crescimento verde é uma estratégia inteligente, capaz de unir progresso econômico, inclusão social e preservação ambiental.
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Fonte: Exame







