A rastreabilidade de insumos começa a ganhar papel central na produção de proteínas no Brasil. Na Mantiqueira, uma das maiores produtoras de ovos do país, a alimentação das galinhas já incorpora farelo de soja rastreável por blockchain e com menor pegada de carbono.
A companhia firmou a compra de 12 mil toneladas de farelo de soja fornecido pela Bunge, dentro de um projeto piloto que adiciona critérios ambientais à originação tradicional dos grãos usados na ração das aves. O movimento reflete uma mudança estrutural no setor: sustentabilidade deixa de ser promessa futura e passa a ser requisito para competir em mercados mais exigentes.
Segundo Leandro Testa, diretor de Originação da Mantiqueira e de Novos Negócios da Solobom, a adoção de grãos rastreáveis atende a demandas atuais de compradores, investidores e parceiros internacionais. A iniciativa não altera critérios técnicos ou comerciais da companhia, mas acrescenta uma camada de controle ambiental à cadeia de suprimentos.
O processo de rastreabilidade é realizado por meio de uma plataforma em blockchain, que registra informações desde a fazenda produtora até o destino final do farelo. De acordo com a Bunge, o insumo fornecido nesse modelo apresenta uma pegada de carbono entre 40% e 70% inferior à média brasileira, com indicadores auditados por terceiros e baseados em dados primários coletados nas propriedades.
A expectativa da Mantiqueira é ampliar gradualmente o uso de matérias-primas oriundas de práticas regenerativas conforme o crescimento do negócio. A empresa afirma que o avanço ambiental não deve gerar aumento de preços ao consumidor final, mantendo a competitividade do portfólio.
Além da alimentação das aves, a sustentabilidade também aparece na destinação dos dejetos. O esterco das galinhas é transformado em fertilizante orgânico pela Solobom, braço da Mantiqueira responsável pela produção de mais de 100 mil toneladas anuais de adubo, utilizado em culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar.
Com a JBS como sócia desde 2025, a Mantiqueira acelera a profissionalização da cadeia de ovos, integrando rastreabilidade, práticas regenerativas e expansão internacional. O uso de blockchain na ração das aves sinaliza que, na produção de alimentos, transparência e controle de origem já fazem parte do jogo competitivo.
Fonte: bloomberlinea







