O Brasil tem se destacado globalmente quando o assunto é logística reversa. Um dos setores que melhor ilustra esse avanço é o das embalagens de defensivos agrícolas — onde o país é, hoje, exemplo de eficiência e sustentabilidade.
Em Guaíra, no interior de São Paulo, o agricultor Luiz Brito, com 45 anos de experiência, faz parte dessa transformação. Ele adota a prática de devolver as embalagens de defensivos após a chamada “tríplice lavagem”, processo que evita contaminações e viabiliza a reciclagem segura. O gesto de Brito é mais do que uma boa prática: é parte de um sistema estruturado que une produtores, distribuidores, indústria e governo.
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Um sistema que inspira o mundo
O Sistema Campo Limpo, gerido pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), é o coração dessa operação. De acordo com o diretor-presidente Marcelo Okamura, o volume de embalagens recicladas no país cresceu 20 vezes em 24 anos — de 3,8 mil toneladas para mais de 68 mil em 2024, com projeções de atingir 75 mil toneladas em 2025.
Desde sua criação, o sistema já reciclou mais de 800 mil toneladas de embalagens e evitou a emissão de 1 milhão de toneladas de CO₂ equivalente — o mesmo que o trabalho de 7,5 milhões de árvores na natureza.
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Como funciona a cadeia da logística reversa
Tudo começa com o uso responsável no campo. Após utilizar o produto, o agricultor realiza a tríplice lavagem conforme as normas da ABNT e armazena as embalagens em local seguro até a devolução nos pontos de coleta credenciados.
Esses materiais são então encaminhados para centrais de recebimento, onde são prensados e enviados às indústrias recicladoras. Lá, as embalagens ganham nova vida na forma de resina pós-consumo (RPC) — matéria-prima para novas embalagens ou outros produtos plásticos. É um ciclo contínuo, que alia tecnologia, controle e compromisso ambiental.
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Desafios e próximos passos
Mesmo com resultados expressivos, ainda há desafios a superar. A conscientização dos produtores, o fortalecimento da fiscalização e a ampliação da infraestrutura são pontos-chave para o avanço.
Novas indústrias especializadas em reciclagem de embalagens flexíveis estão previstas para entrar em operação nos próximos anos — um passo importante para reduzir o volume de resíduos que ainda precisam ser incinerados.
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Um legado para o futuro
Com base sólida, tecnologia e o engajamento do campo, o Brasil segue consolidando seu papel como referência mundial em economia circular. O envolvimento de agricultores, cooperativas, empresas e instituições é o que mantém o sistema em funcionamento e aponta para um futuro ainda mais sustentável.
A experiência brasileira mostra que é possível unir produtividade agrícola e responsabilidade ambiental — um equilíbrio que se torna exemplo para o mundo e legado para as próximas gerações.
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Fonte: Diário do Povo







