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Speedo aposta no milho como matéria-prima para roupas sustentáveis

gerada via IA

Uma solução curiosa e promissora está ganhando espaço na indústria têxtil: roupas feitas de milho. Sim, o mesmo ingrediente que está presente na mesa dos brasileiros agora também pode compor o guarda-roupa. A inovação vem da Speedo Multisport, que encontrou na agricultura uma alternativa para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

O segredo está na bioamida, uma fibra têxtil desenvolvida a partir do milho geneticamente modificado. A matéria-prima é uma biomassa vegetal adaptada para uso industrial — composta principalmente por partes não comestíveis da planta, como caule e folhas — e, portanto, não compete com o milho destinado à alimentação.

Embora o custo inicial da bioamida seja mais alto do que o das poliamidas convencionais, a Speedo aposta nos ganhos operacionais. Segundo o CEO Roberto Jalonetsky, o novo tecido demanda menos tempo e temperaturas mais baixas no processo de tingimento, além de absorver melhor os corantes e facilitar a reutilização da água nas fábricas. Esses fatores contribuem para uma redução de até 50% na pegada de carbono.

Inovação com apoio da ciência brasileira

Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo acompanham com atenção o avanço dessa tecnologia. Christiane Paiva explica que a biomassa usada na produção da bioamida é rica em lignina e celulose — substâncias que garantem resistência ao tecido. Ela reforça que o milho usado nesse processo é geneticamente direcionado para gerar mais biomassa, e não grãos, evitando interferência na cadeia alimentar.

Já Roberto Trindade destaca que os genótipos selecionados para a produção da fibra apresentam características que favorecem o desempenho industrial. E segundo Cristina Paes, analista da Embrapa na área de Ciência de Alimentos, o amido do milho também pode ser aproveitado para a produção de fibras especiais por meio da fermentação que gera o ácido polilático (PLA) — composto valorizado por seu alto valor agregado e propriedades biodegradáveis.

Muito além das roupas

A aplicação da bioamida vai além do vestuário esportivo. A tecnologia também está sendo utilizada na produção de descartáveis, lenços umedecidos, gazes hospitalares, tapetes, cobertores e tecidos técnicos. A versatilidade do milho como matéria-prima coloca o Brasil, grande produtor do grão, em posição estratégica no desenvolvimento de soluções sustentáveis que cruzam os setores agrícola, têxtil e industrial.

Com essa iniciativa, a Speedo Multisport une moda, inovação e sustentabilidade, mostrando que o futuro da indústria pode — literalmente — começar no campo.


Fonte: Globo Rural

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