A descarbonização da pecuária ganhou um novo aliado no Brasil. O Grupo Ajinomoto, referência global na produção de aminoácidos, está trazendo para o país uma tecnologia capaz de reduzir em até 25% as emissões de óxido nitroso e em cerca de 10% as de metano — gases de efeito estufa com alto impacto no aquecimento global.
O óxido nitroso, 270 vezes mais potente que o dióxido de carbono, surge principalmente do uso de esterco e fertilizantes sintéticos em solos agrícolas. Na pecuária, ele também é liberado quando há excesso de proteína nas rações. Esse é justamente o ponto atacado pela inovação da Ajinomoto: um suplemento à base de lisina encapsulada, que otimiza o aproveitamento de nutrientes pelos animais e reduz o desperdício.
Segundo Edgar Ishikawa, diretor de nutrição animal da Ajinomoto do Brasil, a tecnologia permite formular rações mais precisas e sustentáveis. “O encapsulamento protege o aminoácido durante a digestão, garantindo que o corpo do animal absorva melhor o nutriente e evitando a excreção de proteína em excesso, que gera poluição”, explica.
A solução, já amplamente utilizada nos Estados Unidos, pode evitar até uma tonelada de CO₂ equivalente por animal ao ano. Para o mercado brasileiro — um dos maiores produtores de carne bovina do mundo —, a chegada da tecnologia ocorre em um momento estratégico, de busca por produtividade com menor impacto ambiental.
Janaína Padoveze, gerente de sustentabilidade da Ajinomoto do Brasil, reforça que a iniciativa está alinhada à meta global do grupo de reduzir em 50% seus impactos ambientais até 2030. “Queremos apoiar toda a cadeia da pecuária a evoluir em práticas sustentáveis e ajudar o país a avançar na agenda de descarbonização”, afirma.
Atualmente, o suplemento é produzido nos Estados Unidos e exportado para diversos continentes, mas a companhia já estuda a possibilidade de produção local — um passo importante para ampliar o acesso à tecnologia e fortalecer a pecuária de baixo carbono no Brasil.
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Fonte: Exame







